“A Arte da latoaria em Cabeceiras de Basto” no Museu das Terras de Basto

Está patente ao público no Museu das Terras de Basto a exposição “A Arte da latoaria em Cabeceiras de Basto”.
Um pouco por todo o país e também em Cabeceiras de Basto, existiram vários mestres latoeiros. Atualmente, ainda persiste neste concelho um latoeiro de profissão, João Leite Pacheco, nascido no final da década de vinte do século passado, o qual viu este ofício florescer, e mais tarde, tornar-se obsoleto, muito graças à vulgarização do plástico.
Estes mestres latoeiros trabalhavam nas suas lojas a folha – que podia ser de cobre, latão ou estanho – criando utensílios que serviram durante muito tempo para responder às necessidades da vida rural e do quotidiano das famílias.
Nesta mostra podem ser observados diferentes objetos em folha-de-lata, desde cântaros, funis, regadores, enxofradeiras, candeias de azeite e de petróleo, mas também peças de cariz religioso bem como uma simulação do espaço oficinal do latoeiro, no qual se expõem as várias ferramentas caraterísticas do seu ofício.
A exposição pode ser fruída de terça a domingo, sendo o ingresso gratuito.
Visite-nos!

(FM)

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Conservação e restauro dos arcazes e contadores da antiga sacristia da Igreja de S. Miguel de Refojos

As Oficinas Santa Bárbara executaram, durante o mês de Setembro, uma intervenção no mobiliário da Sacristia Velha da Igreja de S. Miguel de Refojos, em Cabeceiras de Basto, constituído por dois arcazes e dois contadores embutidos na parede, chapeados em madeira de jacarandá com estrutura em madeira de castanho, decorados com elementos de latão vazados e recortados. Obra dos inícios do século XVIII, cuja autoria confirmada é de Agostinho Marques, entalhador de Braga.
“Os móveis da sacristia de S. Miguel de Refóios foram encomendados pelo Abade Fr. Cipriano de S. Francisco no dia 23 de Maio de 1717. O contrato, assinado naquela data, é de 930$000 rs. As peças em questão são referidas não somente naquele documento como também no relatório trienal de 1716-1719, que menciona os caixões de pau-preto com seus bronzes dourados (latão aos dois lados da sacristia, os dois armários, ou guarda-roupas, com compartimentos para os amitos na parte superior e armários para as coisas de sacristia na zona de baixo, uma mesa de pau-preto para os cálices no meio da sala e também portas de angelim […] Os móveis da sacristia de Refóios de Basto, como os de Santa Maria de Bouro, representando os dois grandes conjuntos conservados da obra conhecida de Agostinho Marques, existem todos, mas com duas excepções em mau estado de preservação. […] estes móveis apresentam a mesma guarnição metálica em forma de cruz […] Com o seu linearismo inervado e um pouco incerto, o desenho evoca a fragilidade de certos esquemas utilizados em azulejos quinhentistas de aresta, de carácter hispano-árabe” (Robert Smith – Agostinho Marques: enxambrador da cónega”. Porto: Livraria Civilização, 1974).

ESTADO DE CONSERVAÇÃO
Estas peças de mobiliário já tinham sido objeto de vários restauros em épocas passadas, sendo que o último se deve ter realizado provavelmente no início do séc. XX. Para além de indícios evidentes da ação do inseto xilófago e de elementos estruturais em madeira inapropriados, tanto a superfície da madeira como a do metal apresentavam várias camadas onde se misturavam vernizes, ceras e betumes, o que provocou um acentuado escurecimento acastanhado de todo o conjunto.

TRATAMENTO EFECTUADO
Na primeira fase dos trabalhos, procedeu-se à remoção cuidadosa das ferragens em latão, com ferramentas fabricadas especificamente para a tarefa. No final desta intervenção, os móveis foram submetidas a um tratamento curativo e preventivo contra o inseto xilófago, através de aspersão e pincelagem. Já em oficina, procedeu-se à remoção de betumes e oxidações das peças metálicas, o que obrigou à utilização de banhos sequenciais, seguido de respetiva neutralização. Em seguida, as peças foram objeto dum polimento mecânico e manual, e de proteção da superfície com verniz para metais.

A segunda fase dos trabalhos, corresponde ao tratamento das madeiras e à recolocação dos elementos decorativos em latão no próprio local da sacristia. Foram substituídas as madeiras estruturais inapropriadas, fixados elementos deslocados e consolidadas as áreas enfraquecidas. A superfície dos móveis foi inteiramente limpa, removendo-se as camadas de ceras, vernizes e outras substâncias que lhe tinham sido aplicadas ao longo dos tempos. Concluídos estes trabalhos, a superfície da madeira foi protegida com uma mistura cerosa (cera de abelha pura e resina natural), a que se deu um polimento manual com panos apropriados à tarefa. Finalmente, aplicaram-se os elementos decorativos em latão, fixados com novos balmases de latão, fabricados propositadamente com cabeças adequadas de 3,5 mm.
Esta intervenção proporcionou a recuperação do aspeto original deste mobiliário, nomeadamente da rica coloração da madeira de jacarandá e o brilho luminoso do dourado dos elementos em latão.
Esta intervenção, realizada entre Agosto e Outubro de 2014, foi efectuada pela empresa Oficinas Santa Bárbara, Conservação, Restauro e Divulgação de Bens Culturais. Para mais informações deve-se consultar o Relatório Técnico existente no Museu das Terras de Basto.

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Oficinas Santa Bárbara
Conservação, Restauro e Divulgação de Bens Culturais, Lda.

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A poça da sapa

A poça da sapa é uma nascente de água existente nos montes pertencentes aos consortes de Cavez, situados em direção ao lugar de Leiradas na freguesia de Riodouro, no concelho de Cabeceiras de Basto.
No verão esta nascente, apesar de ficar bastante mais fraca, nunca chega a secar.
Segundo a crença popular este facto deve-se ao encantamento que encerra uma grade de ouro aí existente.
Diz ainda o povo que os carros de bois usados para ir buscar mato e lenha quando passavam pelo caminho, junto à poça, rompiam as rodas na referida grade.
Certo é que, passados tantos e tantos anos, e apesar das tentativas, ainda ninguém conseguiu localizar a tão almejada grade de ouro, que, convenhamos, até nem vinha a despropósito neste momento de crise financeira…

NOTA: Esta lenda foi escrita com base num texto existente no Museu das Terras de Basto e intitulado: Retalhos de Tradição, por Zé Pedro Lendário.

(FM)

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Museu das Terras de Basto dinamiza atividades para a semana da educação

A Câmara Municipal de Cabeceiras de Basto dedica a semana de 20 a 26 de outubro à cultura e à Educação.
Neste âmbito, nos dias 22 e 23 do corrente mês, o Museu das Terras de Basto desenvolveu duas atividades diferentes, “Vamos plantar no meu vasinho” e a “Minha latinha de lã”. Nestas atividades participaram crianças do Jardim de Infância e do Primeiro ciclo da escola do Arco de Baúlhe. No dia 22 de outubro, terça-feira, as crianças do Jardim de Infância, muito ativas, plantaram na sua latinha uma planta aromática. Na quinta-feira foi a vez do primeiro ciclo, os alunos entusiasmados decoraram a sua latinha dos lápis com várias cores de lã. E que bonitas ficaram!

(FM)

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Casa do Pão e Núcleo de Vida Selvagem

No dia 16 de outubro, cerca de 85 crianças acompanhadas pelas respetivas professoras do 3.º ano da Escola Básica Padre Dr. Joaquim Santos, do concelho de Cabeceiras de Basto, deslocaram-se a Moinhos de Rei para visitar o Núcleo de Vida Selvagem e a Casa do Pão.
Integrado na paisagem serrana envolvente as crianças, acompanhadas por uma técnica do Museu das Terras de Basto, puderam ver no Núcleo de Vida Selvagem fotografias e textos de algumas espécies de animais de montanha (fauna) e a diversidade da flora aí existente.
De seguida trilharam o caminho para a Casa do Pão. Aí deu-se a conhecer a produção do pão desde o seu cultivo até à cozedura em forno de lenha. A D. Laura Barroso fez uma demonstração do fabrico do pão feito com base na farinha de milho e de centeio.
Finalmente, a visita terminou com a degustação da broa ainda quentinha e acompanhada pelo presunto da terra.
Para memória futura aqui deixamos o registo fotográfico.

(FM)

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Arroz de cabidela

Ingredientes:
• 1 Frango caseiro (de preferência)
• 2 Cebolas
• Azeite q.b
• 2 Dentes de alho
• 2 Folhas de louro
• 1 Ramo de salsa
• 1 Copo de vinho branco maduro
• Arroz (para uma tigela de arroz coloca-se o triplo de água quente ou mais, para que fique bem solto)
• Sal a gosto
• Sangue do frango
• Vinagre

Preparação:
Na sua confeção este arroz leva sangue do frango, ao qual para não coalhar se adiciona vinagre.
Limpe o frango e corte-o em bocados, reserve.
Faça um estrugido com cebola picada muito miudinha e azeite. A cobrir a cebola juntam-se duas folhas de louro.
Quando a cebola estiver a ficar douradinha, deita-se o vinho e tapa-se com o testo, deixando-o refogar um pouco. De seguida, pica-se o alho bem picadinho e junta-se ao preparado anterior. Logo depois junta-se o frango, deixando-o refogar, adicionando-lhe lentamente água quente, sem nunca cobrir o frango para que fique lourinho.
Adicione o sal q.b. e a salsa.
Quando o frango estiver refugado, reserve-o numa panela à parte, mantendo-o quente.
Ao refugado acrescenta-se água a ferver e deita-se o arroz, mantendo sempre o lume no máximo, para que fique durinho.
Quando o arroz estiver quase cozido, junta-se o sangue e retifica-se o tempero.

Data da recolha: 2013
Informante: Isabel Sousa
Natural de: Refojos (Cabeceiras de Basto)
Residente em: Refojos (Cabeceiras de Basto)
Coletores: Conceição Magalhães
Notas: Um prato que se fazia habitualmente aos domingos.

(FM)

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Lenda de “As Campas”

MC_00183É bem conhecido o ditado popular:
“Filho és pai serás, como fizeres assim acharás”.
Em Cavez existe um monte chamado “As Campas”. Segundo a tradição oral, era para aquele monte que se levavam as pessoas moribundas, as quais aí eram enterradas.
Certo dia, quando um filho, continuando a tradição, transportava num carro de bois o seu pai, que seguia embrulhado numa manta, este repetia continuamente:
“Filho és pai serás, como fizeres assim acharás.”
O filho ouviu, em silêncio, intrigado.
Chegando ao lugar de “As Campas”, o filho perguntou:
– Pai, quer ficar aqui ou mais adiante?
– Onde queiras. Já agora aproveita metade da minha manta, pois, um dia fará falta.
– Falta para quê? – Indagou o filho preocupado.
– Ora, para que é que havia de ser? Para quando chegar a tua vez de vires para este lugar…
– Então eu também venho para cá? – Interrogou o filho, assustado.
– Certamente que sim. Respondeu o pai.
– Não meu pai, não o vou deixar aqui. Voltamos para casa e a partir de hoje ninguém mais virá para cá. Atalhou o filho.
Desde então, as pessoas de Cavez começaram a sepultar os seus mortos no interior da igreja.
Mais tarde seria o adro o abrigo dos defuntos. Finalmente, mas só longos anos depois, seria construído o cemitério, a última morada para aqueles que partem para a Eternidade.
A velha “história da manta” é conhecida por todos, faz parte da tradição oral de Cavez, a propósito do referido monte “As campas”. Na verdade os mais antigos contam-na como um testemunho do passado, deixada pelos seus pais e avós.

NOTA: Esta lenda foi escrita com base num texto existente no Museu das Terras de Basto e intitulado: Retalhos de Tradição, por Zé Pedro Lendário.

(FM)

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