Lenda do Alto das Meninas

A lenda abaixo transcrita foi recolhida em 1989, pela professora Glória Sousa, natural e residente na freguesia de Cavez, lugar de Arosa. A sua informante foi sua avó, Albina Gonçalves Badim, na altura com 84 anos e natural da freguesia de Cavez, lugar de Arosa.

Lenda do Alto das MeninasRio Tâmega2
Reza a lenda que uma senhora saiu de casa para ir vender sardinhas, tendo deixado as suas duas filhas entregues aos cuidados de uma moça de nome Ester.
Resolveu esta sair com as meninas para levar um burrito a pastar junto ao rio Tâmega.
Por descuido uma das meninas caiu ao rio e afogou-se. Com medo de que a outra irmã desse conta do sucedido, a Ester resolveu também afogá-la.
Chegada a casa conta a seu pai o sucedido, tendo este decidido ir buscá-las ao rio, metê-las dentro dum saco, levá-las para o monte e enterrá-las.
Quando a mãe das meninas chega a casa e não as encontra, é informada pela Ester de que elas tinham fugido. A mãe, desesperada, corre montes e vales à procura das filhas, mas nunca mais as encontrou.

Na aldeia de Moimenta, em Cavez, nas noites quentes de verão, os homens tinham por hábito apanhar ar fresco no pátio das suas casas, com vistas para um monte bem alto situado no lugar de Arosa.
Todas as noites aparecia no céu uma estrela com uma cauda a indicar sempre o mesmo sítio. Uhm, ali havia história… Decidiram juntar-se e ir contar o sucedido ao senhor Abade. No dia seguinte dirigiram-se todos ao monte indicado pela estrela, e, com surpresa, descobriram um grande penedo coberto de rosas brancas…
Das meninas nada mais se soube, mas a roseira ainda hoje lá está, cobrindo o penedo com lindas rosas.
Desde então, em homenagem a essas duas meninas, o monte passou a chamar-se o Alto das Meninas.

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Mercadinho dos Sabores e dos Saberes realizado em agosto no Museu das Terras de Basto

Numa tarde de sol, em ambiente calmo e muito agradável, realizou-se pela segunda vez neste ano, o Mercadinho dos Sabores e dos Saberes.
Esta atividade decorreu ao ar livre junto ao edifício da estação e teve lugar no dia 03 de agosto, entre as 14h00 e as 17h30.
À venda estiveram os vários produtos colhidos da terra, assim como, o fumeiro, os licores, o mel, a broa, os tradicionais doces de romaria e as peças de vestuário em lã feitas pelas mulheres de Bucos.
Para memória futura deixamos aqui o registo fotográfico desta iniciativa.

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Mercadinho dos sabores e dos saberes: Núcleo Ferroviário de Arco de Baúlhe: sábado, 03 de agosto de 2013

Em Cabeceiras de Basto, um concelho ainda profundamente marcado pela paisagem natural e onde as pessoas continuam a cultivar frutas e legumes destinados ao consumo caseiro, mantêm-se sabores de outras épocas.
No Sábado, dia 03 de agosto, da parte da tarde, entre as 14h30 e as 17h30, o Museu das Terras de Basto organiza, no Núcleo Ferroviário de Arco de Baúlhe, um Mercadinho dos Sabores e dos Saberes.
Quem visitar o Núcleo Ferroviário vai ter a possibilidade de ver e comprar os produtos que a terra dá nesta época do ano.
À venda estarão legumes de diversas qualidades, fruta, mel, ovos, vinho, licores, entre outros…
Não faltará o pão com chouriço, bem como os doces de romaria – cavacas, rosquilhos e rebuçados.
Haverá também exposição e venda de produtos em lã feitos pelas mulheres de Bucos.
Em visita organizada ou individualmente, venha ao Arco de Baúlhe e conheça o que a terra tem de melhor. Não perca!

Entrada gratuita.

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Mercadinho dos sabores e dos saberes promove produtos da terra

Na tarde de sábado, dia 22 de junho, o Museu das Terras de Basto (Núcleo Ferroviário de Arco de Baúlhe) realizou o 3.º Mercadinho dos Sabores e dos Saberes. À venda estiveram os diversos produtos tradicionais da terra. Frutas e legumes, licores, mel, vinho, bolo com chouriço, broa caseira, entre outras iguarias…
Marcaram também presença as Mulheres de Bucos, que trouxeram peças feitas com lã e o linho da Dona Fátima Mota, de Pedraça.
Um Grupo Recreativo do Arco de Baúlhe animou o ambiente com os cantares, ao som da concertina, do tambor, dos ferrinhos e da pandeireta.
Nesta 3.ª edição, o Mercadinho dos Sabores e dos Saberes contou com a presença de mais de uma centena de pessoas.
Mais uma vez esta iniciativa revelou-se um sucesso.

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Restauro da pintura “Adoração dos Pastores”

Em 2012, a C.M. de Cabeceiras de Basto adjudicou, através de concurso, às Oficinas Santa Bárbara – Conservação, Restauro e Divulgação de Bens Culturais, Lda., a recuperação de 9 pinturas sobre tela (onde se incluem 2 bandeiras processionais de dupla face) pertencentes ao Núcleo Museológico do Baixo Tâmega, situado no Mosteiro de S. Miguel de Refojos. Esta intervenção culminou com uma apresentação pública do trabalho efectuado, no dia 14 de Março de 2013, na qual estiveram presentes a Arq. Paula Silva, directora da Direcção Regional da Cultura do Norte e o Eng. Joaquim Barreto, Presidente da C.M. de Cabeceiras de Basto. Posteriormente, foi apresentada uma comunicação sobre a intervenção de conservação e restauro das pinturas ao III Encontro de História Local – Memórias do Território, que decorreu no Museu das Terras de Basto, nos dias 17 e 18 de Maio de 2013.

ADORAÇÃO DOS PASTORES
Pintura a óleo sobre tela de trama muito apertada e urdidura de padrão, com as dimensões aproximadas de 188 cm de altura e 126 cm de largura.
Composição elaborada em que sobressaem as tonalidades azuis. Num céu de nuvens, donde irrompe um clarão em tons amarelos, destacam-se cinco anjos alados em que a figura central, de corpo inteiro, ostenta uma faixa com a inscrição «GLORIA IN EXCELCIS DE».
Sob um fundo arquitectónico com paisagem central, desenvolve-se a representação do Presépio, tendo como figura central S. José (colocado na bissectriz das linhas que nascem nos cantos), tendo a seus pés um anjo alado de mãos alçadas, celebrando o nascimento de Jesus que se encontra mais abaixo, desnudo sobre um pano branco. Estas três figuras estão organizadas num eixo longitudinal que, nascendo no anjo de topo, divide a composição em duas partes.
Do lado direito, ocupando todo o espaço a partir do canto, está representada a Virgem Maria em adoração, com túnica branca e panejamentos azuis. No plano superior, duas personagens, uma bem iluminada, com cajado e cesto de ovos, e outra que quase desaparece no fundo escuro.
Do lado esquerdo, mais três personagens, estando em primeiro plano um provável caçador de joelhos que ostenta à cintura uma grande faca, atrás do qual está representado um músico de gaita-de-foles erecto, ocultando a terceira personagem que quase se dilui no fundo mais escuro.
Esta pintura já foi objecto de estudo técnico e estilístico por parte das investigadoras Carla Pereira, Jorgelina Carballo e Sofia Santos.

Moldura em madeira de castanho, inteiramente pintada a tinta de óleo preta, só com a canelura interna dourada a folha-de-ouro. A moldura sobrepõe-se à pintura, ocultando pormenores da representação. A grade em madeira de castanho, com dimensões aproximadas à da pintura, encontra-se construída com malhetes simples e em rude “cauda de andorinha”, fixados com pregos de ferro que penetram na moldura. Não apresenta cunhas de estiramento nem arestas boleadas.

O suporte têxtil, muito desidratado, apresenta, na zona inferior, uma grande lacuna a toda a largura, a qual tinha sido colmatada com folha adesiva. Toda a tela oferece-nos numerosas pequenas lacunas, provavelmente com origem no forte desgaste do têxtil com particular incidência nas áreas de fixação da tela, devido à forte oxidação dos pregos. São observáveis vários enfolamentos devido ao colapso dos elementos de fixação da tela, e profundos vincos originados pelas duas travessas centrais cruzadas da grade.

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A camada pictórica, com preparação branca muito fina e de boa aderência, exibe lacunas dispersas, resultado da degradação da tela na periferia das lacunas, de vincos e dobras, acentuado pelo destacamento pontual da policromia, devido à pulverização da preparação e da camada cromática.
A superfície está coberta por um espesso filme de verniz (de origem resinosa?), cuja oxidação deu origem a uma forte tonalidade amarelada e esbranquiçada, ocultando o cromatismo original.

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Na primeira fase dos trabalhos, procedeu-se à remoção cuidadosa dos pregos que fixavam a grade à moldura, seguido de remoção dos pregos que fixavam a tela à grade.
Uma vez individualizada a tela, procedeu-se à remoção da fita adesiva, tendo sido suficiente para o efeito, o amolecimento com hidrocarbonetos fracos. Contudo, os adesivos remanescentes no reverso da tela, provavelmente siliconados, mostraram uma forte aderência ao suporte têxtil, obrigando à utilização de mistura de solventes. O reverso da tela foi escovado com escovas plásticas macias, auxiliado com aspiração controlada de baixa intensidade, de forma a eliminar as poeiras soltas e compactadas.

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Colocou-se, então, sobre toda a superfície cromática uma película melinex e um adesivo comercial que, com auxílio de ferro de reentelagem de temperatura controlada, permitiu proceder à primeira fase de consolidação da camada cromática. Durante e após a secagem do adesivo, fez-se a sua planificação a quente para eliminação de áreas de enfolamentos e de vincos, operação melhorada pela aplicação de tábuas e pesos em cada fase de trabalho.
Após testes de solvência, os vernizes oxidados foram removidos com uma mistura de solventes, sempre acompanhado por neutralização com hidrocarbonetos fracos.

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A nova tela com fibra de 100% de linho, de dimensão superior à tela original, foi lavada para remoção de goma e novamente imersa em água desmineralizada para eliminação de resíduos. Uma vez seca e planificada a quente, aplicou-se em toda a superfície um adesivo comercial. Concluída esta operação, colocou-se a tela nova sobre o reverso da tela original, depois de também esta receber o mesmo adesivo, fazendo-se a união das duas com ferro quente de temperatura controlada.
Esta operação permitiu aumentar as dimensões do suporte têxtil de forma a recuperar as zonas policromadas que se encontravam ocultas pela moldura.

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Trabalhando agora na superfície pictórica, todas as lacunas foram preenchidas com tela de linho, redimensionadas para as lacunas pretendidas, e de seguida foram preenchidas com uma massa de enchimento à base de gelatina animal e cargas neutras. Os preenchimentos de lacunas na camada pictórica foram, então, objecto duma reintegração cromática com pigmentos inorgânicos e tintas a verniz para restauro.

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Finalmente, a superfície cromática foi protegida com vernizes comerciais mates por pincelagem. Devido às características dos pigmentos utilizados em cada cor, às diferentes alterações sofridas pelas tintas das várias tonalidades e ao desgaste diferencial do suporte têxtil, a absorção e formação de filme do verniz apresentou variações substanciais em várias áreas da pintura. Para evitar a aplicação de camadas de verniz muito espessas, foram sendo feitas aplicações sectorizadas nas áreas de maior absorção, durante vários dias, até se obter a uniformização do filme de acabamento final.

De forma a permitir a recuperação das áreas pictóricas que se encontravam ocultas, fez-se um redimensionamento da moldura e da grade com elementos de madeira de castanho, bem seco e tratado. A grade recebeu também dois travamentos horizontais para melhor estabilização da estrutura, que não existiam originalmente, bem como com seis tensores em aço inoxidável. Na moldura, foi necessário executar de novo e aplicar travessas em toda a periferia, igualmente em madeira de castanho, de forma a possibilitar o enquadramento da pintura com novas dimensões.

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Oficinas Santa Bárbara
Conservação, Restauro e Divulgação de Bens Culturais, Lda.

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Mercadinho dos Sabores e dos Saberes: Núcleo Ferroviário de Arco de Baúlhe: Sábado, 22 de Junho de 2013

Em Cabeceiras de Basto, um concelho ainda profundamente marcado pela paisagem natural e onde as pessoas continuam a cultivar frutas e legumes destinados ao consumo caseiro, mantêm-se sabores de outras épocas.
No Sábado, dia 22 de Junho, da parte da tarde, entre as 14h30 e as 18h00, o Museu das Terras de Basto organiza, no Núcleo Ferroviário de Arco de Baúlhe, um Mercadinho dos Sabores e dos Saberes.
Quem visitar o Núcleo Ferroviário vai ter possibilidade de ver, e em muitos casos de saborear, os produtos que a terra dá nesta época do ano, e alguns dos pratos que com eles se confecionam.
À venda estarão legumes de diversas qualidades, fruta, ovos, vinho, chouriço, salpicão, alheiras, mel.
Não faltará a broa, o bolo de chouriço e o pão com chouriço, bem como os doces de romaria – cavacas, rosquilhos e rebuçados.
Haverá também exposição e venda de produtos em lã feitos pelas mulheres de Bucos, e os produtos em linho de Fátima Mota de Pedraça.
Em visita organizada ou individualmente, venha ao Arco de Baúlhe e conheça o que a terra tem de melhor. Não perca!
Entrada gratuita.

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Museu das Terras de Basto apresenta “Memórias do Território: 3.º Encontro de História Local”

A Câmara Municipal de Cabeceiras de Basto através do Museu das Terras de Basto, organizou nos dias 17 e 18 de Maio (sexta e sábado), as «Memórias do Território: 3.º Encontro de História Local», que contou com a participação de meia centena de pessoas.
No dia 17 de maio, sexta-feira, foram apresentadas seis comunicações:
«A Rede de Museu e Sítios do Ave», por Paulo Costa Pinto, Gestor de Projetos de Cultura e Turismo na Comunidade Intermunicipal do Ave;
«Camilo Castelo Branco por Terras de Basto: Breve reflexão», por José Manuel Oliveira, Bibliotecário e Conservador da Casa de Camilo;
«A Casa da Taipa, de António Pereira, fortes, com muro e torre,» por Ana Maria Magalhães de Sousa Pereira, Investigadora em História de Arte;
«São Bartolomeu: A ordem e o caos na Ponte de Cavez», por Albertino Gonçalves, Professor Associado com Agregação da Universidade do Minho;
«Aspetos da recuperação do núcleo pictórico do Mosteiro de S. Miguel de Refojos»; Olga e Pedro Santa Bárbara, Sócios-gerentes da empresa Oficinas Santa Bárbara, Conservação Restauro e Divulgação de Bens Culturais, Lda.;
E finalmente, «Mulheres de um Tempo sem Tempo», por Helena Cardoso, Designer de moda. Integrou em 1987, o projeto “Formação, Capacitação Profissional de Mulheres”, da Comissão da Condição feminina, e actualmente dá apoio técnico à Casa da Lã, em Bucos.
À semelhança dos dois anos anteriores o Encontro continuou no dia seguinte, 18 de maio, sábado, Dia Internacional dos Museus.
De manhã, por volta das 9h30, o grupo assistiu à inauguração da 1.ª fase da pista de comboios em miniatura, no Núcleo Ferroviário de Arco de Baúlhe. De seguida deslocou-se para Bucos onde visitaram as instalações da Casa da Lã, sediada no edifício da antiga escola primária, que foi adaptada para o efeito e onde um grupo de mulheres se dedica ao trabalho da lã. Daí se partiu para a visita à Casa da Taipa e sua capela, na freguesia de Cabeceiras de Basto (S. Nicolau), onde a Mestre Ana Maria Pereira, Investigadora em História de Arte, deu uma breve explicação da evolução arquitectónica da casa ao longo dos tempos. A visita prosseguiu, desta feita, já no Núcleo de Arte Sacra do Mosteiro de São Miguel de Refojos, onde se ficou a conhecer o núcleo de pinturas seiscentistas restauradas em 2012.
O almoço foi no restaurante regional “O Botas”, em Arosa, na freguesia de Cavez.
Daí se partiu até à Ponte de Cavez, Casa da Ponte e sua capela (capela de S. Bartolomeu), onde o grupo ouviu uma breve comunicação do Dr. Duarte Nuno Vasconcelos sobre a origem e história desta vetusta casa.
Já de regresso ao restaurante regional “O Botas”, a D. Nazaré Oliveira, doceira de Cavez, fez uma apresentação da forma como confeciona as suas cavacas e os seus rosquilhos. Ao mesmo tempo, que os visitantes puderam degustar estes deliciosos doces tradicionais.
Por fim, o grupo teve uma calorosa e alegre receção na sede do Rancho Folclórico “Os camponeses de Arosa”. O rancho dançou e os visitantes também. Terminando-se com um beberete oferecido pelo rancho, composto por iguarias tradicionais como a broa caseira, o presunto, as azeitonas, a cebola salgada e a aletria.
Garantimos que para o próximo ano há mais «Memórias do Território»!

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