Casa do Pão e Núcleo de Vida Selvagem

No dia 16 de outubro, cerca de 85 crianças acompanhadas pelas respetivas professoras do 3.º ano da Escola Básica Padre Dr. Joaquim Santos, do concelho de Cabeceiras de Basto, deslocaram-se a Moinhos de Rei para visitar o Núcleo de Vida Selvagem e a Casa do Pão.
Integrado na paisagem serrana envolvente as crianças, acompanhadas por uma técnica do Museu das Terras de Basto, puderam ver no Núcleo de Vida Selvagem fotografias e textos de algumas espécies de animais de montanha (fauna) e a diversidade da flora aí existente.
De seguida trilharam o caminho para a Casa do Pão. Aí deu-se a conhecer a produção do pão desde o seu cultivo até à cozedura em forno de lenha. A D. Laura Barroso fez uma demonstração do fabrico do pão feito com base na farinha de milho e de centeio.
Finalmente, a visita terminou com a degustação da broa ainda quentinha e acompanhada pelo presunto da terra.
Para memória futura aqui deixamos o registo fotográfico.

(FM)

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Arroz de cabidela

Ingredientes:
• 1 Frango caseiro (de preferência)
• 2 Cebolas
• Azeite q.b
• 2 Dentes de alho
• 2 Folhas de louro
• 1 Ramo de salsa
• 1 Copo de vinho branco maduro
• Arroz (para uma tigela de arroz coloca-se o triplo de água quente ou mais, para que fique bem solto)
• Sal a gosto
• Sangue do frango
• Vinagre

Preparação:
Na sua confeção este arroz leva sangue do frango, ao qual para não coalhar se adiciona vinagre.
Limpe o frango e corte-o em bocados, reserve.
Faça um estrugido com cebola picada muito miudinha e azeite. A cobrir a cebola juntam-se duas folhas de louro.
Quando a cebola estiver a ficar douradinha, deita-se o vinho e tapa-se com o testo, deixando-o refogar um pouco. De seguida, pica-se o alho bem picadinho e junta-se ao preparado anterior. Logo depois junta-se o frango, deixando-o refogar, adicionando-lhe lentamente água quente, sem nunca cobrir o frango para que fique lourinho.
Adicione o sal q.b. e a salsa.
Quando o frango estiver refugado, reserve-o numa panela à parte, mantendo-o quente.
Ao refugado acrescenta-se água a ferver e deita-se o arroz, mantendo sempre o lume no máximo, para que fique durinho.
Quando o arroz estiver quase cozido, junta-se o sangue e retifica-se o tempero.

Data da recolha: 2013
Informante: Isabel Sousa
Natural de: Refojos (Cabeceiras de Basto)
Residente em: Refojos (Cabeceiras de Basto)
Coletores: Conceição Magalhães
Notas: Um prato que se fazia habitualmente aos domingos.

(FM)

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Lenda de “As Campas”

MC_00183É bem conhecido o ditado popular:
“Filho és pai serás, como fizeres assim acharás”.
Em Cavez existe um monte chamado “As Campas”. Segundo a tradição oral, era para aquele monte que se levavam as pessoas moribundas, as quais aí eram enterradas.
Certo dia, quando um filho, continuando a tradição, transportava num carro de bois o seu pai, que seguia embrulhado numa manta, este repetia continuamente:
“Filho és pai serás, como fizeres assim acharás.”
O filho ouviu, em silêncio, intrigado.
Chegando ao lugar de “As Campas”, o filho perguntou:
– Pai, quer ficar aqui ou mais adiante?
– Onde queiras. Já agora aproveita metade da minha manta, pois, um dia fará falta.
– Falta para quê? – Indagou o filho preocupado.
– Ora, para que é que havia de ser? Para quando chegar a tua vez de vires para este lugar…
– Então eu também venho para cá? – Interrogou o filho, assustado.
– Certamente que sim. Respondeu o pai.
– Não meu pai, não o vou deixar aqui. Voltamos para casa e a partir de hoje ninguém mais virá para cá. Atalhou o filho.
Desde então, as pessoas de Cavez começaram a sepultar os seus mortos no interior da igreja.
Mais tarde seria o adro o abrigo dos defuntos. Finalmente, mas só longos anos depois, seria construído o cemitério, a última morada para aqueles que partem para a Eternidade.
A velha “história da manta” é conhecida por todos, faz parte da tradição oral de Cavez, a propósito do referido monte “As campas”. Na verdade os mais antigos contam-na como um testemunho do passado, deixada pelos seus pais e avós.

NOTA: Esta lenda foi escrita com base num texto existente no Museu das Terras de Basto e intitulado: Retalhos de Tradição, por Zé Pedro Lendário.

(FM)

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Lenda da Ponte de Cavez

MC_03054Dados históricos apontam o século XIII como data de construção da Ponte de Cavez a qual atravessa o rio Tâmega e liga entre si as províncias do Minho e de Trás-os-Montes. Tal obra, de grande envergadura, teria tido como pedreiro Frei Lourenço Mendes, monge dominicano, ao qual se atribuem grandes milagres durante a realização da obra.
Contudo, a lenda que aqui se narra está relacionada não com a obra em si, mas sim com o local destinado à construção da ponte.
Inicialmente os alicerces começaram a ser levantados no lugar de Vila-Franca, Cavez, onde, ainda hoje, podem ser observados. Todavia, já com as obras em bom ritmo, ouviu-se uma voz sobrenatural – que a tradição popular atribuiu a S. Bartolomeu, santo de tradições seculares o qual ainda hoje é celebrado na Capela da Ponte – que assim bradava:
– “Mais acima, mais acima”.
Mudaram-se, então, os operários com as respetivas ferramentas para o chamado “Poço das Laranjeiras”, situado, também, no rio Tâmega e nas proximidades da confluência com o rio Cavez.
Porém, após o reinício dos alicerces, os quais também hoje ainda são visíveis, a mesma voz fez-se ouvir:
– “Mais acima, mais acima.”
Nova mudança e, pela terceira vez, a ponte é começada, desta feita, uns cento e tal metros mais acima, subindo o curso do rio, bem próximo do local onde se situa a Capela de São Bartolomeu.
Aí, a voz deixou de se ouvir e a ponte foi, final e definitivamente, construída, podendo ainda hoje ser observada na sua imponência e beleza, ou não fosse ela um monumento de interesse nacional e uma das mais importantes obras arquitetónicas do nosso concelho.

NOTA: Esta lenda foi escrita com base num texto existente no Museu das Terras de Basto e intitulado: Retalhos de Tradição, por Zé Pedro Lendário.

(FM)

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Pataniscas da D.na Ana

Ingredientes:
• 4 ovos inteiros
• Bacalhau desfiado (a gosto)
• 0,5 kg de farinha de trigo
• 0,5 litro de água
• Bastante salsa picada
• Cebola picada

Preparação:
De véspera, coloca-se o bacalhau a demolhar.
Desfia-se muito bem o bacalhau e pica-se a salsa e a cebola.
Num recipiente coloca-se a água e a farinha, mexendo muito bem, e, se for preciso, acrescenta-se um pouco mais de água. De seguida, mistura-se o bacalhau desfiado, continuando a mexer muito bem. Depois vai-se acrescentando os ovos um a um, sempre sem parar de mexer.
Quando o preparado estiver bem envolvido, junta-se a salsa e a cebola picadas.
Utilize uma colher de sopa como medida para cada patanisca, colocando-as numa sertã (em Cabeceiras de Basto a sertã também é conhecida como tacho), com pouco óleo, o qual deve ser previamente aquecido. Frite-as e durante a fritura, se necessário, pode adicionar pouco a pouco mais óleo, para não queimar.
Quando as pataniscas estiverem fritas retiram-se e deixam-se escorrer. De seguida, colocam-se sobre papel absorvente de cozinha, para que fiquem bem sequinhas.
São assim que elas sabem bem.

Data da recolha: 2014
Informante: Ana Peneda
Natural de: Arco de Baúlhe (Cabeceiras de Basto)
Residente em: Arco de Baúlhe (Cabeceiras de Basto)
Coletores: Conceição Magalhães
Notas: Este prato fazia-se muitas vezes para as merendas.

(FM)

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Vagens com feijão

Ingredientes:
• Feijão amarelo
• Vagens (tenras)
• Batatas
• Carne de porco
• Chouriço caseiro
• Azeite
• Sal

Preparação:
No dia anterior põe-se a demolhar o feijão.
Num pote de três pernas coloca-se a cozer o feijão, a carne de porco partida em pequenos pedaços e o chouriço.
Entretanto, partem-se as vagens de cima abaixo e depois cortam-se essas partes ao meio. Quando o feijão e as carnes estiverem quase cozidos, juntam-se as vagens, as batatas e o sal, deixando cozer cerca de 15 minutos.
O azeite é acrescentado no prato a gosto de cada um, podendo-se também colocar alho picado e vinagre.

Data da recolha: junho 2014
Informante: Maria da Conceição Gonçalves Mouta
Natural de: Cavez (Cabeceiras de Basto)
Residente em: Pedraça, lugar de Recovos (Cabeceiras de Basto)
Coletores: Maria de Fátima Magalhães
Notas: Este prato fazia-se na época da produção da vagem, entre maio e setembro

(FM)

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A automotora ME5 andou e encantou

No dia 28 de junho, sábado, por volta das 15.30 h, a automotora ME5, construída em 1948, saiu de um dos salões que compõe o Núcleo Ferroviário de Arco de Baúlhe / Museu das Terras de Basto e andou num curto espaço da antiga linha férrea do Tâmega.
A técnica do Museu das Terras de Basto, Conceição Magalhães, foi o rosto desta iniciativa, sendo a condução da automotora feita pelo mecânico da Câmara Municipal de Cabeceiras de Basto, o Sr. Manuel Araújo.
Cerca de cinquenta pessoas experimentaram esse pequeno passeio e ficaram maravilhadas.
Logo ao primeiro arranque todos bateram palmas.
Não haja dúvida que foi uma grande satisfação vê-la andar, quer para o Museu das Terras de Basto/Câmara Municipal de Cabeceiras de Basto, quer para o visitante.

(FM)

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