Lenda da Ponte de Cavez

MC_03054Dados históricos apontam o século XIII como data de construção da Ponte de Cavez a qual atravessa o rio Tâmega e liga entre si as províncias do Minho e de Trás-os-Montes. Tal obra, de grande envergadura, teria tido como pedreiro Frei Lourenço Mendes, monge dominicano, ao qual se atribuem grandes milagres durante a realização da obra.
Contudo, a lenda que aqui se narra está relacionada não com a obra em si, mas sim com o local destinado à construção da ponte.
Inicialmente os alicerces começaram a ser levantados no lugar de Vila-Franca, Cavez, onde, ainda hoje, podem ser observados. Todavia, já com as obras em bom ritmo, ouviu-se uma voz sobrenatural – que a tradição popular atribuiu a S. Bartolomeu, santo de tradições seculares o qual ainda hoje é celebrado na Capela da Ponte – que assim bradava:
– “Mais acima, mais acima”.
Mudaram-se, então, os operários com as respetivas ferramentas para o chamado “Poço das Laranjeiras”, situado, também, no rio Tâmega e nas proximidades da confluência com o rio Cavez.
Porém, após o reinício dos alicerces, os quais também hoje ainda são visíveis, a mesma voz fez-se ouvir:
– “Mais acima, mais acima.”
Nova mudança e, pela terceira vez, a ponte é começada, desta feita, uns cento e tal metros mais acima, subindo o curso do rio, bem próximo do local onde se situa a Capela de São Bartolomeu.
Aí, a voz deixou de se ouvir e a ponte foi, final e definitivamente, construída, podendo ainda hoje ser observada na sua imponência e beleza, ou não fosse ela um monumento de interesse nacional e uma das mais importantes obras arquitetónicas do nosso concelho.

NOTA: Esta lenda foi escrita com base num texto existente no Museu das Terras de Basto e intitulado: Retalhos de Tradição, por Zé Pedro Lendário.

(FM)

Publicado em Antropologia | Etiquetas , , , | Deixe o seu comentário

Pataniscas da D.na Ana

Ingredientes:
• 4 ovos inteiros
• Bacalhau desfiado (a gosto)
• 0,5 kg de farinha de trigo
• 0,5 litro de água
• Bastante salsa picada
• Cebola picada

Preparação:
De véspera, coloca-se o bacalhau a demolhar.
Desfia-se muito bem o bacalhau e pica-se a salsa e a cebola.
Num recipiente coloca-se a água e a farinha, mexendo muito bem, e, se for preciso, acrescenta-se um pouco mais de água. De seguida, mistura-se o bacalhau desfiado, continuando a mexer muito bem. Depois vai-se acrescentando os ovos um a um, sempre sem parar de mexer.
Quando o preparado estiver bem envolvido, junta-se a salsa e a cebola picadas.
Utilize uma colher de sopa como medida para cada patanisca, colocando-as numa sertã (em Cabeceiras de Basto a sertã também é conhecida como tacho), com pouco óleo, o qual deve ser previamente aquecido. Frite-as e durante a fritura, se necessário, pode adicionar pouco a pouco mais óleo, para não queimar.
Quando as pataniscas estiverem fritas retiram-se e deixam-se escorrer. De seguida, colocam-se sobre papel absorvente de cozinha, para que fiquem bem sequinhas.
São assim que elas sabem bem.

Data da recolha: 2014
Informante: Ana Peneda
Natural de: Arco de Baúlhe (Cabeceiras de Basto)
Residente em: Arco de Baúlhe (Cabeceiras de Basto)
Coletores: Conceição Magalhães
Notas: Este prato fazia-se muitas vezes para as merendas.

(FM)

Publicado em Gastronomia cabeceirense | Etiquetas , , , , | Deixe o seu comentário

Vagens com feijão

Ingredientes:
• Feijão amarelo
• Vagens (tenras)
• Batatas
• Carne de porco
• Chouriço caseiro
• Azeite
• Sal

Preparação:
No dia anterior põe-se a demolhar o feijão.
Num pote de três pernas coloca-se a cozer o feijão, a carne de porco partida em pequenos pedaços e o chouriço.
Entretanto, partem-se as vagens de cima abaixo e depois cortam-se essas partes ao meio. Quando o feijão e as carnes estiverem quase cozidos, juntam-se as vagens, as batatas e o sal, deixando cozer cerca de 15 minutos.
O azeite é acrescentado no prato a gosto de cada um, podendo-se também colocar alho picado e vinagre.

Data da recolha: junho 2014
Informante: Maria da Conceição Gonçalves Mouta
Natural de: Cavez (Cabeceiras de Basto)
Residente em: Pedraça, lugar de Recovos (Cabeceiras de Basto)
Coletores: Maria de Fátima Magalhães
Notas: Este prato fazia-se na época da produção da vagem, entre maio e setembro

(FM)

Publicado em Gastronomia cabeceirense | Etiquetas , , , , , | Deixe o seu comentário

A automotora ME5 andou e encantou

No dia 28 de junho, sábado, por volta das 15.30 h, a automotora ME5, construída em 1948, saiu de um dos salões que compõe o Núcleo Ferroviário de Arco de Baúlhe / Museu das Terras de Basto e andou num curto espaço da antiga linha férrea do Tâmega.
A técnica do Museu das Terras de Basto, Conceição Magalhães, foi o rosto desta iniciativa, sendo a condução da automotora feita pelo mecânico da Câmara Municipal de Cabeceiras de Basto, o Sr. Manuel Araújo.
Cerca de cinquenta pessoas experimentaram esse pequeno passeio e ficaram maravilhadas.
Logo ao primeiro arranque todos bateram palmas.
Não haja dúvida que foi uma grande satisfação vê-la andar, quer para o Museu das Terras de Basto/Câmara Municipal de Cabeceiras de Basto, quer para o visitante.

(FM)

Este slideshow necessita de JavaScript.

Publicado em Actividades | Etiquetas , , , , , | Deixe o seu comentário

Mercadinho dos Sabores e dos Saberes

Realizou-se no dia 28 de junho (sábado), da parte de tarde, mais um mercadinho dos Sabores e dos Saberes. Uma organização do Museu das Terras de Basto, Câmara Municipal de Cabeceiras de Basto, que contou com a presença de vários produtores do concelho.
A D. Silvina Dourado, de Riodouro, com produtos hortícolas; a D. Laura Barroso, de Travassô, com a sua broa caseira e o seu fumeiro; a D. Ana Brás, de Bucos, com o seu fumeiro; a D. Emília Sousa, de Santa Senhorinha, com as suas sementes, os seus feijões e as suas plantas; a D. Emília Lopes, de Arco de Baúlhe, com os seus docinhos caseiros; o Sr. Francisco Lopes, de Refojos, com o seu mel; a D. Nazaré Oliveira, de Cavez, com os seus doces tradicionais; a D. Joaquina Basto, de Arosa, com o seu pão com chouriço; o vinho de Casal Morgade, de Arco de Baúlhe; o Sr. Luís Nogueira, da Faia, com o seu artesanato em madeira; a D. Fátima Mota, com o seu artesanato em linho, e a Casa da Lã, de Bucos, com as suas peças em lã.
Com a participação destes produtores, o visitante pôde ver e adquirir uma variedade de produtos, e ainda saborear alguns deles.

(FM)

Este slideshow necessita de JavaScript.

Publicado em Gastronomia cabeceirense | Etiquetas , , , , , , , , , , , , | Deixe o seu comentário

Mercadinho dos Sabores e dos Saberes

No dia 28 de junho, sábado, entre as 14h30 e as 17h30, no Museu das Terras de Basto, Núcleo Ferroviário de Arco de Baúlhe, realiza-se mais um “mercadinho dos sabores e dos saberes”.
Quem visitar o Museu das Terras de Basto, poderá ver e saborear os produtos que a terra dá nesta época do ano.
À venda estarão legumes de diversas qualidades, fruta, vinho, fumeiro, mel, não faltará a broa, o pão com chouriço, bem como os doces de romaria, as cavacas, os rebuçados e os rosquilhos.
Haverá também os produtos em lã feitos pelas mulheres de Bucos, e os produtos em linho da Fátima Mota de Pedraça.
Apareça!
Entrada Gratuita.

(FM)

IMG_0122

IMG_0247

Publicado em Gastronomia cabeceirense | Etiquetas , , , , , , , , , , , | Deixe o seu comentário

Memórias do Território: 4.º Encontro de História Local

A Câmara Municipal de Cabeceiras de Basto através do Museu das Terras de Basto, organizou nos dias 07 e 08 de junho (sábado e domingo), as «Memórias do Território: 4.º Encontro de História Local», que à semelhança do ano passado, contou com a participação de meia centena de pessoas.
No dia 07 de junho, sábado, foram apresentadas cinco comunicações:
• «A Senhoralização da Terra de Basto no século XIII e primeira metade do século XIV», por Joana Sousa, Mestre em História Medieval;
• «Pintura Mural e Pintura Mural na «Terra de Basto»», por Paula Bessa, Professora do Departamento de História do Instituto de Ciências Sociais da Universidade do Minho;
• «Lamentações sobre a Casa de Avis, de António Pereira, Senhor de Basto», por Pedro Vilas Boas Tavares, Professor na Faculdade de Letras da Universidade do Porto;
• «Virtualidades e complexidades de um típico espaço rural das Terras de Basto no séc. XVIII. O caso de Basto (Santa Tecla)»; por Elza Maria Rodrigues de Carvalho, Professora aposentada;
• E finalmente, «Aspetos do cultivo, preservação e consumo do cereal em Cabeceiras de Basto», por Teresa Soeiro, Professora associada do Departamento de Ciências e Técnicas do Património da Faculdade de Letras da Universidade do Porto.
À semelhança dos anos anteriores o Encontro continuou no dia seguinte, 08 de junho, domingo.
De manhã, por volta das 9h30, o Professor Doutor Pedro Vilas Boas Tavares fez a visita guiada à Igreja de Santa Senhorinha de Basto. De seguida, o grupo deslocou-se até à Casa do Forno, em Olela, Basto. Daí se partiu para a visita ao lagar de azeite em Arco de Baúlhe, prosseguindo a visita num passeio pedonal até à ponte velha de Arco de Baúlhe.
O almoço foi no restaurante “Sabores do Tâmega”, na Faia.
Desta feita, o grupo foi até ao Mosteiro de S. Miguel de Refojos, onde a Arquiteta Inês Gonçalves fez uma breve comunicação sobre a arquitetura e a análise espacial do mosteiro.
Daí se partiu para a visita à aldeia de Travassô, tendo o grupo percorrido a aldeia. Corria uma brisa fresca, e soube bem entrar na Casa do Forno e ver dentro de alvas toalhas a broa ainda quentinha, acabada de fazer pela D. Laura Barroso. A visita terminou num beberete com presunto, enchidos, broa e muitas outras iguarias características da terra.
E já vamos no 4.º ano das Memórias do Território! Para o ano garantimos um novo Encontro!

(FM)

Este slideshow necessita de JavaScript.

Publicado em Memórias do Território | Etiquetas , , , , , , | Deixe o seu comentário