Memórias paroquiais de Cabeceiras de Basto (ano de 1758)

Em 1758, com o apoio do governo da época, é enviado a todos os párocos um inquérito através do qual se pretende recolher dados sobre cada paróquia portuguesa. No “Inquérito” são abordados três grandes temas – a terra, a serra e o rio, pedindo-se aos senhores párocos para que “venha tudo escrito em letra legível e sem abreviaturas”.
Todos os párocos cabeceirenses responderam ao inquérito – Abadim, Alvite, Arco de Baúlhe, Basto (Santa Senhorinha), Bucos, Cabeceiras de Basto, Cavez, Faia, Gondiães, Outeiro, Painzela, Passos, Pedraça, Refojos de Basto, Rio Douro, Vila Nune e Vilar de Cunhas.
Paulatinamente iremos publicando neste blogue as memórias paroquiais de cada uma das freguesias cabeceirenses. De quinze em quinze dias divulgaremos uma nova paróquia, seguindo a ordem alfabética. Esta semana divulgamos Abadim, daqui a quinze dias seguir-se-á Alvite.
O texto das memórias paroquiais foi actualizado de modo a torná-lo acessível aos estudantes das nossas escolas.
Para quem pretenda consultar o texto com a grafia original aconselha-se a leitura de: José Viriato Capela – As freguesias do distrito de Braga nas Memórias Paroquiais de 1758: a construção do imaginário minhoto seiscentista. Braga: Universidade do Minho, 2003. P. 213-229.
É intenção do Museu das Terras de Basto continuar a publicar documentação que se reputa importante para o conhecimento deste território, suas gentes, actividades económicas, festividades e património natural e cultural.
Consulte os textos na secção dedicada aos Documentos para a história.
(IMF)

Esta entrada foi publicada em História local com as etiquetas , , , , . ligação permanente.

3 respostas a Memórias paroquiais de Cabeceiras de Basto (ano de 1758)

  1. Amadeu Lemos da Silva diz:

    Outrora, por rebeldia, por ignorância, por insensatez ou por ser do contra, desdenhava o trabalho que, de forma paulatina e consistente, estava a ser feito.
    Hoje, já bastante mais maduro, não ligando aos partidos, mas tão-só à qualidade do trabalho realizado por alguns homens que andam na política, sinto o dever de dizer que Cabeceiras de Basto é exemplo na preservação da sua cultura e do seu património; é exímia na forma como dá a conhecer a sua História.

    Que os concelhos vizinhos saibam “copiar” o que de bom se faz em Cabeceiras.

  2. manuel josé diz:

    A título de curiosidade deixamos aqui o teor do inquérito enviado aos párocos em 1758 de que resultaram as “Memórias Paroquiais”.
    Acresce ainda que para além das actuais freguesias do concelho constam nesses registos Várzea Cova e Aboim, ao tempo incluídas em Cabeceiras de Basto.
    Por último deve referir-se que nem todos os párocos responderam ao inquérito, casos dos de Outeiro, Gondiães, Painzela, Pedraça e Vilar de Cunhas e ainda o de S. Sebastião de Passos como paróquia de Celorico. Refojos e Abadim (na qualidade de coutos?) não constam dos registos.

    INQUÉRITO:
    “1. Em que província fica, que bispado, comarca, termo e freguesia pertence?
    2. Se é d’el-rei, ou de donatário, e quem o é ao presente?
    3. Quantos vizinhos tem e o número das pessoas?
    4. Se está situada em campina, vale, ou monte, e que povoações se descobrem dela, e quanto dista?
    5. Se tem termo seu, que lugares ou aldeias compreende, como se chamam, e quantos vizinhos tem?
    6. Se a paróquia está fora do lugar, ou dentro dele, e quantos lugares, ou aldeias tem a freguesia, todos pelos seus nomes?
    7. Qual é o orago, quantos altares tem, e de que santos, quantas naves tem; se tem irmandades, quantas, e de que santos?
    8. Se o Pároco é cura, vigário, ou reitor, ou prior, ou abade, e de que apresentação é, e que renda tem?
    9. Se tem beneficiados, quantos, e que renda tem, e quem os apresenta?
    10. Se tem conventos, e de que religiosos, ou religiosas, e quem são os seus padroeiros?
    11. Se tem hospital, quem o administra, e que renda tem?
    12. Se tem casa de Misericórdia, e qual foi a sua origem, e que renda tem; e o que houver notável em qualquer destas cousas?
    13. Se tem ermidas, e de que santos, e se estão dentro, ou fora do lugar, e a quem pertencem?
    14. Se acode a eles romagem, sempre, ou em alguns dias do ano, e quais são estes?
    15. Quais são os frutos da terra que os moradores recolhem em maior abundância?
    16. Se tem juiz ordinário, etc., câmara, ou se está sujeita ao governo das justiças de outra terra, e qual é esta?
    17. Se é couto, cabeça de concelho, honra, ou beetria?
    18. Se há memória de que florescessem, ou dela saíssem, alguns homens insignes por virtudes, letras, ou armas?
    19. Se tem feira, e em que dias, e quantos dura, se é franca ou cativa?
    20. Se tem correio, e em que dias da semana chega e parte; e, se o não tem, de que correio se serve, e quanto dista a terra onde ele chega?
    21. Quanto dista da cidade capital do bispado, e quanto de Lisboa, capital do reino? Se tem algum privilégio, antiguidades, ou outras cousas dignas de memória?
    22. Se há na terra, ou perto dela alguma fonte, ou lagoa célebre, e se as suas águas tem alguma especial qualidade?
    23. Se for porto de mar, descreva-se o sítio que tem por arte ou por natureza, as embarcações que o frequentam e que pode admitir?
    24. Se a terra for murada, diga-se a qualidade de seus muros; se for praça de armas, descreva-se a sua fortificação.
    25. Se há nela, ou no seu distrito algum castelo, ou torre antiga, e em que estado se acha ao presente?
    26. Se padeceu alguma ruína no terramoto de 1755, e em quê, e se está reparado?
    27. E tudo o mais que houver digno de memória, de que não faça menção o presente interrogatório?
    Na segunda parte pretende-se saber o seguinte sobre a serra:
    1. Como se chama?
    2. Quantas léguas tem de comprimento, e quantas de largura; onde principia, e onde acaba?
    3. Os nome dos principais braços dela?
    4. Que rios nascem dentro do seu sítio, e algumas propriedade mais notáveis delse; as partes para onde correm, e onde fenecem?
    5. Que vilas e lugares estão assim na serra, como ao longo dela?
    6. Se há no seu distrito algumas fontes de propriedades raras?
    7. Se há na serra minas de metais, ou canteiras de pedra, ou de outros materiais de estimação?
    8. De que plantas, ou ervas medicinais é a serra povoada, e se se cultiva em algumas partes, e de que géneros de frutos é mais abundante?
    9. Se há na serra alguns mosteiros, igrejas de romagem, ou imagens milagrosas?
    10. A qualidade do seu temperamento?
    11. Se há nela criações de gados, ou de outros animais, ou caça?
    12. Se tem alguma lagoa, ou fojos notáveis?
    13. E tudo o mais que houver digno de memória?
    E sobre os rios que passarem na terra, procura-se saber:
    1. Como se chama, assim o rio, como o sítio onde nasce?
    2. Se nasce logo caudaloso, e se corre todo o ano?
    3. Que outros rios entram nele, e em que sítio?
    4. Se é navegável, e de que embarcações é capaz?
    5. Se é de curso arrebatado, ou quieto, em toda a sua distância, ou em alguma parte dela?
    6. Se corre de norte a sul, se de sul a norte, se de poente a nascente, se de nascente a poente?
    7. Se cria peixes, e de que espécie são os que traz em maior abundância?
    8. Se há nele pescarias, e em que tempo do ano?
    9. Se as pescarias são livres, ou de algum senhor particular, em todo o rio, ou em alguma parte dele?
    10. Se se cultivam as suas margens, e se tem muito arvoredo de fruto ou silvestre?
    11. Se tem alguma virtude particular as suas águas?
    12. Se conserva sempre o mesmo nome, ou o começa a ter diferente em algumas partes, e como se chamam estas, ou se há memória de que em outro tempo tivesse outro nome?
    13. Se morre no mar, ou em outro rio, e como se chama este, e o sítio em que entra nele?
    14. Se tem alguma cachoeira, represa, levada, ou açudes que lhe embaracem o ser navegável?
    15. Se tem pontes de cantaria, ou de pau, quantas e em que sítio?
    16. Se tem moinho, lagares de azeite, pisões, noras ou outro algum engenho?
    17. Se tem algum tempo, ou no presente, se tirou ouro das suas areias?
    18. Se os povos usam livremente das suas águas para a cultura dos campos, ou com alguma pensão?
    19. Quantas léguas tem o rio, e as povoações por onde passa, desde o seu nascimento até onde acaba?
    20. E qualquer outra cousa notável que não vá neste interrogatório.”

  3. manuel josé diz:

    Refojos e Abadim constam como coutos da “comarca e termo da vila de Guimarães e Arcebispado de Braga Primaz” (sic).

Deixe uma Resposta

Preencha os seus detalhes abaixo ou clique num ícone para iniciar sessão:

Logótipo da WordPress.com

Está a comentar usando a sua conta WordPress.com Terminar Sessão / Alterar )

Imagem do Twitter

Está a comentar usando a sua conta Twitter Terminar Sessão / Alterar )

Facebook photo

Está a comentar usando a sua conta Facebook Terminar Sessão / Alterar )

Google+ photo

Está a comentar usando a sua conta Google+ Terminar Sessão / Alterar )

Connecting to %s