O Basto e a sua lenda

O vasto império dos visigodos não resistiu aos ataques Muçulmanos que, comandados por Tarik, iam espalhando terror, avançando através da Galiza e devastando tudo e todos.

A notícia destes ataques logo chegou ao Mosteiro de S. Miguel de Refojos, não tendo, no entanto, merecido grande credibilidade.

Mas, quando tiveram conhecimento de que Bracara Augusta não tinha resistido aos ataques dos Muçulmanos, logo iniciaram a preparação da defesa do seu mosteiro, constituída por pouco mais de uma centúria de servos e homens de armas, comandados por D. Gelmiro, o venerando Dom Abade do Mosteiro.

Entre esses homens encontrava-se Hermígio Romarigues, um monge guerreiro, parente do fundador do Mosteiro e que se destacava pelo seu porte avantajado. Era um homem gigantesco e ruivo, de grandes e possantes membros, barba encarapinhada, num rosto cheio de cicatrizes, evidência de lutas passadas.

Numa certa noite, Hermígio Romarigues sentiu o barulho ensurdecedor, mas longínquo, de um grande tropido de cavalos…

De imediato correu a avisar quer os monges, que logo se reuniram na singela nave do templo, a ofertar as suas orações a Deus, a S. Bento e a São Miguel, para que os auxiliassem nesta batalha, quer os homens que ajudariam na defesa do mosteiro e que prontamente acudiram à sua chamada, colocando-se cada um no seu posto.

Hermigío Romarigues acompanhado apenas por dois moços, seus companheiros de caça e aventuras, tomaram a defesa da ponte.

Quando as tropas de Tarik se aproximam da ponte, Hermigío Romarigues já aí se encontra, com ar possante, segurando com firmeza a espada nas mãos. Aí proclama, a alto e a bom som:

«Por São Miguel, meu senhor! Até aqui basto eu!…»

E bastou!

Por três vezes os mouros arremetem contra as débeis defesas do Mosteiro. Mas por três vezes foram rechaçados pela espada do nosso imponente guerreiro.

A ponte sobre a ribeira ficou atulhada de corpos. Os chefes infiéis, esmagados de pavor e assombro, enviaram mensagens de paz ao Dom Abade Gelmiro e mantiveram incólume o Mosteiro, suas terras, rendas e foros.

Posteriormente o monge guerreiro ter-se-ia integrado no reduto cristão, situado nas Astúrias, sob o comando de Pelágio, tendo sido um dos seus mais ilustre e esforçado guerreiro.

Quem o quiser ver Hermígio Romariguez – “O Basto”, só tem de se deslocar a Cabeceiras de Basto, à Praça da República, local onde se encontra uma antiquíssima escultura que o representa. É uma visita que se recomenda!

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