No País do Tamanco

O Noroeste de Portugal, como a vizinha Galiza, foi território de maior difusão do calçado com base de madeira, que oferece a vantagem de ser quente, hidrófugo e resiliente. Mais fácil de fabricar do que o de couro, o calçado de pau resistia ao rápido desgaste provocado pelo uso nos trabalhos da lavoura, em deslocações nos pedregosos e enlameados caminhos rurais de outrora ou nos carreiros de montanha, pois tinha o piso reforçado com cardas e brochas ou ferrado com aro de metal, nas últimas décadas substituído por cortes de borracha de pneu velho.
Já no final do século XVIII, o naturalista germânico Heinrich F. Link, que viajou por Portugal nos anos 1798-99, reconheceu esta diferença na forma de vestir e calçar ao longo do país, observando a propósito que a roupa também difere do traje do sul de Portugal, em especial os tamancos são aqui muito vulgares, enquanto que mais em direção a sul já não se vêem.
Porém, no dia-a-dia era comum o pé descalço, tanto em crianças como nos adultos, independentemente de género ou atividade laboral, denotando falta de recursos e o hábito de assim caminhar. O calçado, fosse de pau ou de sola, aprisionava os pés e estorvava, por isso ficava reservado para os dias festivos, as deslocações à Vila ou a ida à romaria.
Mesmos nestes casos, retirava-se durante o trajeto para maior comodidade e poupança.
Foi assim que José Augusto Vieira (1886) viu os romeiros de S. Bartolomeu de Cavez, um grupo em que ia uma rapariga esbelta, de capa dobrada na cabeça e socos na mão para marchar mais ligeira. Mais atrás seguiam duas ou três comadres que fecham o rancho com os alvos merendeiros à cabeça e os tamanquinhos na mão, como que para demonstrar o luxo e a superfluidade dessa peça de vestuário.

Teresa Soeiro (UP/FLUP – CITCEM)

Designação: Ofício
N.º de inventário: T15
Função: Mesa baixa onde o tamanqueiro trabalha.
Material: Madeira.
Dimensões: Comprimento: 82,00 cm; altura 55,00 cm; largura: 74,00 cm.
História: Mesa de trabalho que foi usada pelo tamanqueiro Manuel António Teixeira Leite.
Proprietário: Paulo Jorge Teixeira Leite (União de freguesias de Refojos, Outeiro e Painzela, Rua Irmão Pedro Basto, Cabeceiras de Basto).
t15
Designação: Banco do tamanqueiro
N.º de inventário: T14
Função: Usado no acabamento dos paus. Formado por uma grossa prancha de madeira, com aplicação de um pequeno cepo, sobre o qual apoiava o pau durante o trabalho.
Material: Madeira.
Dimensões: Comprimento: 87,00 cm; altura 50,00 cm; largura: 28,00 cm.
História: Esta peça foi feita há cerca de 40 anos, por Manuel António Teixeira Leite, para ser usado nos acabamentos dos paus dos socos.
Proprietário: Paulo Jorge Teixeira Leite (União de freguesias de Refojos, Outeiro e Painzela, Rua Irmão Pedro Basto, Cabeceiras de Basto).
t14
Designação: Forma
N.º de inventário: T10
Função: Para socos.
Material: Madeira, tira de couro.
Dimensões: Comprimento: 25,00 cm; altura 11,00 cm; largura: 8,50 cm.
História: Esta forma para socos tem cerca de 80 anos, foi utilizada primeiro por Manuel Alves Leite, pai de José Alves Leite, este último atualmente com 90 anos.
Proprietário: José Alves Leite (União de freguesias de Refojos, Outeiro e Painzela, Pinhel, Cabeceiras de Basto).
t10
Designação: Toro de amieiro
N.º de inventário: T13
Função: Para fazer o pau dos socos.
Material: Madeira (amieiro).
Dimensões: Comprimento: 31,00 cm; altura 6,50 cm; largura: 11,00 cm.
Proprietário: José Alves Leite (União de freguesias de Refojos, Outeiro e Painzela, Pinhel, Cabeceiras de Basto).
t13
Designação: Machada
N.º de inventário: T17
Função: Usada para rachar os toros de madeira.
Material: Metal, madeira.
Dimensões: Comprimento: 33,00 cm; altura 33,00 cm; largura: 14,50 cm.
História: Esta machada foi usada pelo tamanqueiro Manuel António Teixeira Leite.
Proprietário: Paulo Jorge Teixeira Leite (União de freguesias de Refojos, Outeiro e Painzela, Rua Irmão Pedro Basto, Cabeceiras de Basto).
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Designação: Formão
N.º de inventário: T16
Função: Usado para fazer o círculo “beira”, onde vai pregar o couro.
Material: Metal, madeira.
Dimensões: Comprimento: 40,50 cm; altura 40,50 cm; largura: 6,00 cm.
História: Esta ferramenta foi usada pelo tamanqueiro Manuel António Teixeira Leite.
Proprietário: Paulo Jorge Teixeira Leite (União de freguesias de Refojos, Outeiro e Painzela, Rua Irmão Pedro Basto, Cabeceiras de Basto).
t16

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A tradição do Natal no Museu

O Museu das Terras de Basto/Núcleo Ferroviário de Arco de Baúlhe através da Câmara Municipal de Cabeceiras de Basto, e no âmbito do seu serviço educativo, promoveu nos dias 06,07 e 09 do corrente mês, atividades alusivas à época natalícia, dirigidas especialmente às crianças.
A passagem dos filmes “A Idade do Gelo – especial Natal”, “Alpha e Òmega – uma aventura de Natal” e a presença do Pai Natal, com os seus presentinhos geraram no museu momentos de diversão e surpresas.
Nesta iniciativa participaram cerca de 214 pessoas, das quais 197 eram crianças da EB1, JI do Arco de Baúlhe e JI do Centro Escolar Prof.ª Filomena Mesquita.

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Inauguração da exposição ‘No país do tamanco’

O presidente da Câmara Municipal de Cabeceiras de Basto, Francisco Alves, inaugurou no sábado, dia 22 de outubro, a exposição ‘No país do tamanco’, mostra que retrata a antiga profissão de tamanqueiro e que pretende homenagear, em simultâneo, as figuras locais que se dedicaram a este ofício.
A exposição está patente ao público no Núcleo Ferroviário do Arco de Baúlhe do Museu das Terras de Basto.
Nesta sessão marcaram presença os vereadores, a presidente e secretário da Junta da União de Freguesias do Arco de Baúlhe e Vila Nune, o presidente do Conselho Fiscal da Basto Vida, entre outros convidados e público em geral. Destaque-se ainda a presença do tamanqueiro de Outeiro, José Alves Leite, um dos homenageados nesta exposição, assim como os seus familiares e amigos que não quiseram perder a oportunidade de o felicitar pela sua vida dedicada à tamancaria.
A comissária da exposição é a Professora Doutora Teresa Soeiro – Investigadora do CITCEM – Centro de Investigação Transdisciplinar ‘Cultura, Espaço e Memória’ que, na oportunidade, deu uma palestra sobre o tema retratado nesta exposição.
Sendo uma profissão outrora importante na nossa região pretende-se, através do seu estudo, dar a conhecer a história da tamancaria quer no nosso concelho quer no território envolvente.

(CMCB)

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Apresentação da exposição no Museu das Terras de Basto – “No país do tamanco”

A Câmara Municipal de Cabeceiras de Basto, através do Museu das Terras de Basto, apresenta no dia 22 de outubro, sábado, pelas 15h00 a exposição “No país do tamanco”.
A comissária da exposição é a Professora Doutora Teresa Soeiro – Investigadora do CITCEM – Centro de Investigação Transdisciplinar “Cultura, Espaço e Memória”.
A presente exposição retrata a antiga profissão de tamanqueiro, pretendendo homenagear as figuras locais que se dedicaram a este ofício. Sendo uma profissão outrora importante na nossa região pretende-se, através do seu estudo, dar a conhecer a história da tamancaria quer no nosso concelho quer no território envolvente.
Entrada gratuita.
Não falte!

(FM)

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Casa da Lã comemora Dia Internacional dos Museus

A Casa da Lã e as Mulheres de Bucos associaram-se à comemoração do Dia Internacional dos Museus.
Em Bucos, na Casa da Lã, as mulheres partilharam o seu saber fazer com as crianças dos Jardins de Infância dos lugares de Gondarém e Cumieira da freguesia de Cabeceiras de Basto (S. Nicolau) e da freguesia de Bucos.
Crianças e professores ficaram a conhecer melhor o processo da lã desde a sua fase inicial até ao produto final,ficando a saber que esta arte tradicional é um património inquestionável que vem sendo preservado na aldeia de Bucos.

(FM)

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‘A Primeira Viagem’: uma história da gente, da gente do Arco de Baúlhe, da gente de Cabeceiras de Basto

‘A Primeira Viagem’. Uma emocionante história inspirada no dia da inauguração da Estação Ferroviária do Arco de Baúlhe que conta a despedida de dois irmãos: António e Natália. Uma história da gente, da gente do Arco de Baúlhe, da gente de Cabeceiras de Basto. Uma mega produção do Centro de Teatro da Câmara Municipal de Cabeceiras de Basto que celebrou ontem, dia 18 de maio, o Dia Internacional dos Museus no Núcleo Ferroviário de Arco de Baúlhe.
Mais de meio milhar de pessoas assistiu, em cima da linha do caminho-de-ferro, à história daqueles dois irmãos do Arco de Baúlhe. Um que queria partir e seguir o sonho de descobrir o mundo e a outra, sua irmã, que queria permanecer na terra a que pertence e não queria ver o seu irmão seguir naquela primeira viagem de comboio. Um espetáculo que mergulhou no tempo e viajou numa narrativa sobre festa e adeus, risos e lágrimas, chegadas e partidas… sobre um caminho-de-ferro que mudou a vida de muita gente.
Com texto de Neto Portela, um magnífico elenco composto por 40 pessoas – crianças, jovens e menos jovens – e a participação especial da Lira – Associação Amigos da Música, esta encenação teatral encantou e emocionou as largas centenas de pessoas que se juntaram no Núcleo Ferroviário de Arco de Baúlhe.
No Museu das Terras de Basto aconteceu Cultura, numa noite em que o público presente viajou no tempo e recordou momentos da história coletiva do povo do Arco de Baúlhe, da sua vila, mas também do concelho de Cabeceiras de Basto.
Ao espetáculo não faltaram o presidente da Câmara Municipal de Cabeceiras de Basto, Francisco Alves, e a presidente da Junta da União de Freguesias do Arco de Baúlhe e Vila Nune, Dra. Carla Lousada, entre muitos outros autarcas do Município e das freguesias.
Refira-se que a Estação do Caminho de Ferro do Arco de Baúlhe, fim da Linha do Tâmega, via estreita, foi inaugurada em 1949 e funcionou até 1989. Em 23 de maio de 2004, em resultado de um protocolo celebrado entre a Câmara Municipal de Cabeceiras de Basto, a REFER e a CP, abriu ao público nesta antiga estação o Museu das Terras de Basto, que integra hoje quatro núcleos museológicos – o Núcleo de Arte Sacra, a Casa da Lã, a Casa do Pão e o Núcleo Ferroviário do Arco de Baúlhe que faz parte dos dez núcleos que integram o Museu Nacional Ferroviário.

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Dia Internacional dos Museus, 18 de maio

No âmbito da comemoração do Dia Internacional dos Museus, o Museu das Terras de Basto/Núcleo Ferroviário de Arco de Baúlhe, oferece no dia 18 de maio, um dia com várias atividades distintas.
Às 10h00, “À descoberta no Museu”, um peddy-papper dinamizado com a turma 6.º C da EB2 e 3 de Arco de Baúlhe;
ÀS 15h00, a automotora ME5, sai do salão onde está albergada para andar num curto espaço da linha férrea do museu;
ÀS 21h30, o Centro de Teatro da Câmara Municipal de Cabeceiras de Basto leva à cena “A primeira viagem”.
Não perca, visite-nos!

(FM)

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