Feira e Festas de S. Miguel

Texto de Dr. Albertino Gonçalves

A feira de S. Miguel, em Cabeceiras de Basto, remonta aos tempos medievais. Engrandecida no início do século XIV pelo rei D. Dinis, a feira, bem como a sua relação com o mosteiro de Refojos, é mencionada nas memórias paroquiais de 1758: “tem uma feira chamada S. Miguel que principía aos vinte e oito de setembro e finda aos trinta. Os assentos dela se pagam ao Mosteiro e nela dá correção o D. Abade como ouvidor com os mais oficiais pondo as posturas e penas aos açambarcadores e alguma condenação que se faz está aplicada para a sacristia do Mosteiro por privilégio real” (CAPELA, 2003: 226). Hoje, a procissão e o dia do padroeiro ainda decorrem no dia 29, tendo o arraial lugar no dia 28. Mas o período da feira prolonga-se de 20 a 30 de setembro. As festas de S. Miguel, também do concelho, constam entre as mais notáveis e concorridas do Minho.

A feira de S. Miguel não parou de crescer. Com o foral de 1514, o lugar da feira muda de Olela, em Santa senhorinha de Basto, para a localização atual junto ao convento de Refojos. Durante muito tempo, concentrou-se no Campo Seco. Hoje, a feira abrange quase todas as ruas e praças do núcleo urbano, que se animam com gente, espiritualidade, comércio e diversão. A feira, originalmente dominada pelo comércio de gado bobino e cavalar, concentra milhares de pessoas que negoceiam todo o tipo de artigos. A componente agrícola da feira resulta revigorada com a organização, iniciada em 1976, da Agro-Basto, “certame” das atividades económicas de Basto.

O dia de S. Miguel é de suma importância no calendário agrícola. O Santo é associado às colheitas, tal como S. Bartolomeu um mês antes. Mas também é um momento de previdência. Aproxima-se tempos menos férteis. A feira é decisiva para escoar, abastecer e precaver. Para além de uma ocasião festiva, a feira apresenta-se como uma interface, um nó de comunicação e um vigoroso catalisador económico da região. Mas a feira é, em si mesma, fonte de negócio. Abre a bolsa e o apetite a locais e a forasteiros.

O dia mais grandioso da festa é o 29 de setembro, feriado municipal. De manhã, celebra-se a missa solene em honra do Arcanjo S. Miguel. A procissão aguarda pela tarde. Sai da igreja do Mosteiro de S. Miguel de Refojos. Comporta cerca de trinta andores, cuja decoração, a cargo de pessoas e associações locais, é motivo de orgulho. Entretanto, há ranchos folclóricos e bandas de música. O dia acordou com arruadas de bombos. O arraial quase não deixou dormir a noite anterior. A procissão está no adro e o dia ainda vai a meio. Aguardam-se novas bandas de música, animação musical com grupos famosos e, para fechar, um espetáculo mediático nos claustros do Mosteiro.

Cabeceiras de Basto honra S. Miguel com feira e festas.

Referência bibliográfica

Albertino Gonçalves – Cabeceiras de Basto: Câmara Municipal, 2013. p. 358.

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Maca médica: conservação preventiva

As macas médicas, encontravam-se distribuídas pelas diversas estações ferroviárias, ao cuidado da vigilância médica e da responsabilidade dos Chefes de Estação.

O objeto pertencente à exposição permanente do Núcleo Ferroviário do Arco do Baúlhe, com nº de inventário AB 3337, foi em tempos destinado ao transporte de doentes e/ou feridos, que devido à condição física se encontravam com dificuldades de locomoção.

Tendo em conta o estado de conservação da maca médica, de estrutura articulada, foi possível verificar que o suporte têxtil apresenta diversas patologias, entre elas colonização microbiológica.

A nível preventivo foi realizada limpeza mecânica, com auxílio de trincha macia e aspirador, de forma captar as partículas sólidas soltas, depositadas na superfície do objeto.

No que diz respeito à colonização microbiológica foi aplicado por aspersão, preparado líquido de substâncias ativas, previamente diluído, de forma atuar preventivamente na reparação de ataques microbiológicos.

Diana da Silva – Técnica Superior de Conservação e Restauro

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E por aqui continuamos… com trabalhos de conservação preventiva

No Núcleo de Arte Sacra do Museu das Terras de Basto, prosseguimos o plano de manutenção preventiva, nas coleções de vidros, cerâmicas e madeiras. Nestas peças foi verificada o seu estado de conservação, realizada a limpeza via mecânica, e pontualmente, limpeza via húmida, e posterior acondicionamento.

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Peça em destaque: Máquina de escrever

Do modelo Remington, este instrumento mecânico com teclas, era utilizado na datilografia, facilitando e dando maior agilidade ao processo da escrita. As teclas quando premidas, movimentam tipos, que causam a impressão de carateres num documento, em geral de papel.

A disposição do teclado nesta máquina de escrever é o HCESAR. Teclado que foi criado em Portugal, e reconhecido como teclado Nacional pelo Estado Novo.

Esta máquina foi utilizada nos serviços administrativos da Câmara Municipal de Cabeceiras de Basto

Inv. n.º MTB 252

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O Minho nas mãos das Mulheres de Bucos

Conferência realizada na Casa da Lã, em Bucos, Cabeceiras de Basto.

Veja aqui a apresentação:

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‘O Minho nas mãos das Mulheres de Bucos’ é tema de conferência do ciclo ‘Estórias do Minho’ na Casa da Lã

A Iniciativa realiza-se sexta-feira, dia 25 de junho, e tem transmissão online.

O Consórcio Minho Inovação, que integra as três Comunidades Intermunicipais do Alto Minho, Cávado e Ave, promove na próxima sexta-feira, dia 25 de junho, em Cabeceiras de Basto, o Ciclo de Conferências ‘Estórias do Minho – Narrativas no Feminino de uma Geografia Identitária’ no âmbito do projeto âncora ‘PA2. Touring Cultural – Identidade Cultural do Minho’, cofinanciado pelo Norte 2020.

A 10.ª conferência ‘O Minho nas mãos das Mulheres de Bucos’, a realizar na Casa da Lã, em Bucos, freguesia do Concelho de Cabeceiras de Basto com forte tradição neste trabalho da lã, tem lugar pelas 17h30 e será proferida pela investigadora Isabel Maria Fernandes que pretende realçar o importante trabalho das Mulheres de Bucos que ainda hoje continuam a usar as mãos para preparar a lã e para tecer as belas peças que encantam quem as vê. Herdaram o saber fazer das suas mães e avós e são a memória viva de um tempo que não volta mais. Hoje as peças que fazem são diferentes, tem outras funções, mas a arte de as fazer continua a mesma.

A conferência e mesa redonda irá contar com a participação de um reputado painel de investigadoras, constituído por Isabel Maria Fernandes, investigadora e Diretora do Museu Alberto Sampaio, Paço dos Duques de Bragança e Castelo de Guimarães; Helena Chaves, Diretora do Instituto de Emprego e Formação Profissional do Médio Ave e Helena Cardoso, estilista e designer com especialidade na arte têxtil tradicional portuguesa. Será moderada por Maria Amélia Ribeiro de Carvalho, docente na Universidade do Minho e transmitida on-line através https://www.facebook.com/camaracabeceirasdebasto.

De referir que a Casa da Lã é um núcleo museológico do Museu das Terras de Basto, equipamento cultural do Município de Cabeceiras de Basto, que se apresenta como um espaço cultural vivo, uma vez que tem em permanência as Mulheres de Bucos a trabalhar a lã em processos que conjugam a tradição à modernidade.

No final, haverá ainda um momento musical, Cantares da Terra das Mulheres de Bucos, protagonizado precisamente por estas mesmas mulheres, uma visita à Casa da Lã e à exposição “As Vinhas”, da autoria de Helena Cardoso, podendo desta forma apreciar este extraordinário trabalho e saberes ancestrais.

Neste Ciclo de Conferências que percorrerá os 24 municípios do Minho, pretende-se valorizar um olhar inovador sobre a herança cultural do Minho rememorada no feminino, enquanto sociedade de forte tradição matriarcal, propiciando uma narrativa congregadora de saberes e valores identitários que importam estudar, conhecer, cuidar, preservar, valorizar e divulgar.

Para estas conferências são convidadas personalidades académicas com trabalho de investigação de grande relevo na área em análise – Identidade Cultural do Minho. A organização pretende, além de fornecer aos participantes os conteúdos sobre os temas propostos, promover uma experiência identitária do território, através da dinamização de um momento cultural relacionado com cada uma das conferências.

A participação nestas sessões é gratuita, contudo e considerando as regras de ocupação da Casa da Lã, em Bucos, por razões de segurança sanitária, solicitamos que, na possibilidade de participação, a inscrição seja efetuada através do site ww.minhoin.com de forma a procedermos à respetiva reserva. As inscrições são limitadas assegurando as recomendações e regras da DGS (orientação 028/DGS) na prevenção do Covid_19.

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Núcleo Ferroviário de Arco de Baúlhe: Painéis azulejares produzidos por alunos

Para assinalar o Dia Nacional do Azulejo, comemorado a 6 de maio, a professora de Educação Visual da Escola Básica de Arco de Baúlhe, Rosário Gomes Coelho, propôs aos alunos do 7º ano de escolaridade, no âmbito do conteúdo “Módulo e Padrão”, a representação do módulo presente no painel de azulejos da fachada do edifício principal do Núcleo Ferroviário de Arco de Baúlhe.

O mosaico foi a técnica utilizada (reaproveitando o papel colorido das folhas das revistas) para a concretização dos trabalhos que agora apresentamos e que são da autoria dos seguintes alunos: Ana Margarida Andrade, Lara Batista, Francisco Pires, Julieta Carvalho, Ana Flor Teixeira, Leonor Gil Oliveira, Sara Andrade Carvalho, Tiago Gonçalves, Carolina Carvalho e Pedro Gonçalves.

Os painéis azulejares que se encontram na estação foram produzidos por A. Lopes, na fábrica de loiça Sant’Anna, em Lisboa, em 1940, tal como se pode ler na inscrição que se encontra na fachada poente do edifício da estação.

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Uma memória

E porque a nossa cultura também é memória, deixamos aqui três registos fotográficos da década 50/60, do século XX.

Documentos que ilustram um lugar, mas também a memória de um povo.

Estação Ferroviária de Arco de Baúlhe, Linha do Tâmega, um projeto que na época foi tão importante para as Terras de Basto.

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“Montanha” (2021): de Patrícia Oliveira

Patrícia Oliveira realizou uma residência artística na Casa da Lã em Bucos.

A artísta esteve cerca de 10 meses a trabalhar em colaboração com as Mulheres de Bucos, na produção de uma obra artística – “Montanha” (2021) – foi o resultado da obra de arte apresentada, no passado dia 18 de maio, Dia Internacional doa Museus.

Um projeto AMAR O MINHO, promovido pelo consórcio MINHO IN, e com coordenação artística e de comunicação da Zet gallery.

Veja os testemunhos aqui no vídeo:

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Dia Internacional dos Museus

Neste Dia Internacional dos Museus decorreu na Casa da Lã em Bucos, a inauguração da escultura em arte têxtil realizada pela escultora Patrícia Oliveira, no contexto de uma Residência Artística que decorreu em Cabeceiras de Basto no início deste ano, no âmbito do AMAR O MINHO.

Veja aqui a apresentação.

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