Já não se fazem carnavais como antigamente

Como em todas as tradições, os carnavais de antigamente transportam memórias de um tempo de fantasia, onde reinavam as brincadeiras, com partidas pelo meio, que faziam a diversão de muitas pessoas. Brincadeiras essas que o tempo vai apagando, mas que ainda permanecem nas memórias dos mais velhos. Deixa-se aqui alguns registos destas diversões que reportam às décadas de 50, 60 e 70 do século XX.

Chamar ao funil
Na noite de carnaval em Outeiro formava-se um grupo de quatro ou cinco pessoas que apregoavam pela noite dentro.
Para esta farra era necessário um funil grande (os utilizados para deitar o vinho nas pipas). O grupo escolhia o cimo de um monte (um dos mais utilizados era o Pinheiral da Moucha) e por volta da meia-noite /duas horas da manhã, utilizando o funil, começavam a pronunciar um nome, que podia ser o nome de um amigo, ou o nome da namorada de um colega, entre outros, e de seguida marcavam encontros com essas namoradas em som alto para todos ouvirem, ou então, diziam galhofas acerca das pessoas que referiam.

Os mascarados à noite
Na noite de carnaval havia ainda quem se mascarasse para bater à porta dos vizinhos. Se os mascarados fosse um casal, o homem vestia-se de mulher e a mulher de homem.

A serrada da velha
Um grupo de jovens levavam consigo um cortiço, um serrote e passavam pelas casas dos mais velhos da freguesia dizendo:
– “Ó velha/o do serrão diz o ato de contrição, que aí vai o velho do serrão.”
Seguidas estas palavras serravam o cortiço (uma brincadeira que os mais velhos não gostavam muito).

O burro do entrudo
O burro do entrudo era feito com um molho de palha, onde se colocavam duas rodas e uma corda, que servia para o puxar. Este “burro” percorria a freguesia e ao mesmo tempo iam dizendo:
– “Anda ver o burro do entrudo”
E ao percorrerem os lugares da freguesia, chamavam pelas pessoas que lá moravam, podendo dizer o seguinte:
– “Manuel anda ver o burro do entrudo”
– “Maria és uma boa rapariga”
– “Maria anda dormir comigo”

Esta recolha foi feita em 2012, por Fátima Magalhães. A nossa informante foi Dídia Teixeira, 87 anos de idade, residente na freguesia de Outeiro.

(FM)

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Bolo entre lenha de sardinhas ou de chouriço

Já aqui registamos a feitura da broa de mistura, hoje falaremos do modo de preparação do bolo de sardinhas ou de chouriço.

Ingredientes:
Para cada bolo: 0,5 kg de massa da mesma que é utilizada para fazer a broa.

Modo de preparação:
Da mesma massa para fazer a broa faz-se também o bolo. Retira-se cerca de 0,5 kg dessa massa, que é colocada na pá do forno, onde é moldada e arredondada, ficando com a espessura de 2 cm. A parte superior do bolo é coberta com sardinhas pequeninas ou com chouriço às rodelas. Vai ao forno cerca de 5 minutos.

Notas: Antigamente no dia de cozer o pão, antes de colocar as broas a cozer no forno, fazia-se o bolo de sardinhas ou de chouriço. Com uma vassoura de giesta, varriam-se as brasas para um dos lados do forno e outras ficavam à entrada. De seguida colocava-se o bolo, que era cozido com a porta do forno aberta. No fim da cozedura do bolo, colocava-se mais lenha no forno para que ficasse novamente bem quente para cozer as broas, por isso o chamam de bolo entre lenha.

Data da recolha: 2011
Informante: Maria da Conceição Mouta
Natural de: Cavez
Residente em: Pedraça
Coletores: Fátima Magalhães

(FM)
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A tradição do natal no Museu das Terras de Basto

O Museu das Terras de Basto, no âmbito do serviço educativo, promoveu na semana de 09 a 12 de dezembro uma atividade para comemorar a época natalícia.
A passagem do filme Frozen e a presença do Pai Natal, com os seus presentinhos, vieram reavivar a tradição natalícia no museu.
Esta iniciativa destinou-se às crianças da primária e do Jardim de Infância, com a participação de 185 crianças do Arco de Baúlhe.

(FM)

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Rabanadas de vinho

Ingredientes:
• Pão de cacete (de três dias)
• Vinho verde tinto
• Açúcar
• Canela
• Ovos

Modo de preparação:
Corte o pão às fatias com cerca de 2 cm de espessura. Bata os ovos e reserve. Aqueça o vinho verde tinto, deixe amornar. De seguida coloque-o num recipiente, com açúcar a gosto, e mexa. A seguir, uma a uma, molham-se as fatias de pão no vinho até ficarem bem húmidas, passando-as depois por ovo batido. Finalmente, em óleo bem quente, fritam-se, deixando-as bem lourinhas de um e de outro lado. Colocam-se numa travessa às camadas, polvilhando-as com açúcar e canela.

Data da recolha: 2013
Informante: Dídia Teixeira
Natural de: Outeiro
Residente em: Paneladas, Outeiro
Coletores: Fátima Magalhães
Notas: Trata-se de um doce que se prepara e serve pelo Natal e Ano Novo.

(FM)

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“A Arte da latoaria em Cabeceiras de Basto” no Museu das Terras de Basto

Está patente ao público no Museu das Terras de Basto a exposição “A Arte da latoaria em Cabeceiras de Basto”.
Um pouco por todo o país e também em Cabeceiras de Basto, existiram vários mestres latoeiros. Atualmente, ainda persiste neste concelho um latoeiro de profissão, João Leite Pacheco, nascido no final da década de vinte do século passado, o qual viu este ofício florescer, e mais tarde, tornar-se obsoleto, muito graças à vulgarização do plástico.
Estes mestres latoeiros trabalhavam nas suas lojas a folha – que podia ser de cobre, latão ou estanho – criando utensílios que serviram durante muito tempo para responder às necessidades da vida rural e do quotidiano das famílias.
Nesta mostra podem ser observados diferentes objetos em folha-de-lata, desde cântaros, funis, regadores, enxofradeiras, candeias de azeite e de petróleo, mas também peças de cariz religioso bem como uma simulação do espaço oficinal do latoeiro, no qual se expõem as várias ferramentas caraterísticas do seu ofício.
A exposição pode ser fruída de terça a domingo, sendo o ingresso gratuito.
Visite-nos!

(FM)

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Conservação e restauro dos arcazes e contadores da antiga sacristia da Igreja de S. Miguel de Refojos

As Oficinas Santa Bárbara executaram, durante o mês de Setembro, uma intervenção no mobiliário da Sacristia Velha da Igreja de S. Miguel de Refojos, em Cabeceiras de Basto, constituído por dois arcazes e dois contadores embutidos na parede, chapeados em madeira de jacarandá com estrutura em madeira de castanho, decorados com elementos de latão vazados e recortados. Obra dos inícios do século XVIII, cuja autoria confirmada é de Agostinho Marques, entalhador de Braga.
“Os móveis da sacristia de S. Miguel de Refóios foram encomendados pelo Abade Fr. Cipriano de S. Francisco no dia 23 de Maio de 1717. O contrato, assinado naquela data, é de 930$000 rs. As peças em questão são referidas não somente naquele documento como também no relatório trienal de 1716-1719, que menciona os caixões de pau-preto com seus bronzes dourados (latão aos dois lados da sacristia, os dois armários, ou guarda-roupas, com compartimentos para os amitos na parte superior e armários para as coisas de sacristia na zona de baixo, uma mesa de pau-preto para os cálices no meio da sala e também portas de angelim […] Os móveis da sacristia de Refóios de Basto, como os de Santa Maria de Bouro, representando os dois grandes conjuntos conservados da obra conhecida de Agostinho Marques, existem todos, mas com duas excepções em mau estado de preservação. […] estes móveis apresentam a mesma guarnição metálica em forma de cruz […] Com o seu linearismo inervado e um pouco incerto, o desenho evoca a fragilidade de certos esquemas utilizados em azulejos quinhentistas de aresta, de carácter hispano-árabe” (Robert Smith – Agostinho Marques: enxambrador da cónega”. Porto: Livraria Civilização, 1974).

ESTADO DE CONSERVAÇÃO
Estas peças de mobiliário já tinham sido objeto de vários restauros em épocas passadas, sendo que o último se deve ter realizado provavelmente no início do séc. XX. Para além de indícios evidentes da ação do inseto xilófago e de elementos estruturais em madeira inapropriados, tanto a superfície da madeira como a do metal apresentavam várias camadas onde se misturavam vernizes, ceras e betumes, o que provocou um acentuado escurecimento acastanhado de todo o conjunto.

TRATAMENTO EFECTUADO
Na primeira fase dos trabalhos, procedeu-se à remoção cuidadosa das ferragens em latão, com ferramentas fabricadas especificamente para a tarefa. No final desta intervenção, os móveis foram submetidas a um tratamento curativo e preventivo contra o inseto xilófago, através de aspersão e pincelagem. Já em oficina, procedeu-se à remoção de betumes e oxidações das peças metálicas, o que obrigou à utilização de banhos sequenciais, seguido de respetiva neutralização. Em seguida, as peças foram objeto dum polimento mecânico e manual, e de proteção da superfície com verniz para metais.

A segunda fase dos trabalhos, corresponde ao tratamento das madeiras e à recolocação dos elementos decorativos em latão no próprio local da sacristia. Foram substituídas as madeiras estruturais inapropriadas, fixados elementos deslocados e consolidadas as áreas enfraquecidas. A superfície dos móveis foi inteiramente limpa, removendo-se as camadas de ceras, vernizes e outras substâncias que lhe tinham sido aplicadas ao longo dos tempos. Concluídos estes trabalhos, a superfície da madeira foi protegida com uma mistura cerosa (cera de abelha pura e resina natural), a que se deu um polimento manual com panos apropriados à tarefa. Finalmente, aplicaram-se os elementos decorativos em latão, fixados com novos balmases de latão, fabricados propositadamente com cabeças adequadas de 3,5 mm.
Esta intervenção proporcionou a recuperação do aspeto original deste mobiliário, nomeadamente da rica coloração da madeira de jacarandá e o brilho luminoso do dourado dos elementos em latão.
Esta intervenção, realizada entre Agosto e Outubro de 2014, foi efectuada pela empresa Oficinas Santa Bárbara, Conservação, Restauro e Divulgação de Bens Culturais. Para mais informações deve-se consultar o Relatório Técnico existente no Museu das Terras de Basto.

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Oficinas Santa Bárbara
Conservação, Restauro e Divulgação de Bens Culturais, Lda.

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A poça da sapa

A poça da sapa é uma nascente de água existente nos montes pertencentes aos consortes de Cavez, situados em direção ao lugar de Leiradas na freguesia de Riodouro, no concelho de Cabeceiras de Basto.
No verão esta nascente, apesar de ficar bastante mais fraca, nunca chega a secar.
Segundo a crença popular este facto deve-se ao encantamento que encerra uma grade de ouro aí existente.
Diz ainda o povo que os carros de bois usados para ir buscar mato e lenha quando passavam pelo caminho, junto à poça, rompiam as rodas na referida grade.
Certo é que, passados tantos e tantos anos, e apesar das tentativas, ainda ninguém conseguiu localizar a tão almejada grade de ouro, que, convenhamos, até nem vinha a despropósito neste momento de crise financeira…

NOTA: Esta lenda foi escrita com base num texto existente no Museu das Terras de Basto e intitulado: Retalhos de Tradição, por Zé Pedro Lendário.

(FM)

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