10 anos da Casa da Lã

A Casa da Lã, sediada na antiga escola primária de Bucos, celebrou ontem, dia 7 de setembro o seu 10.º aniversário.

Trata-se de um núcleo que integra o Museu das Terras de Basto e que funciona como um centro interpretativo sobre o trabalho da lã. Todas as quintas feiras de tarde é possível acompanhar um grupo de mulheres – as Mulheres de Bucos – a trabalhar ao vivo nos diversos trabalhos da lã.

Para assinalar a data os visitantes foram presenteados com um novelo da lã de Bucos.

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A Festa de S. Bartolomeu de Cavez e a novela de “Maria Moisés” de Camilo Castelo Branco

A Festa de São Bartolomeu de Cavez realiza-se nos dias 23 e 24 de agosto.

É uma bonita romaria, muito concorrida, pois para o povo de Cavez o dia 24 é como se fosse um dia de feriado.
Já aqui referimos num artigo publicado a 2022.03.11, intitulado “Festa de S. Bartolomeu de Cavez”, que em tempos idos, esta festividade era associada a constantes zaragatas, desordem e pancadaria entre minhotos e transmontanos.

A este propósito deixamos aqui um excerto do conto “Maria Moisés” das Novelas do Minho, de Camilo Castelo Branco.

“Joaquina, posto que pobre, fora pedida por um lavrador abastado de Cavez; deviam casar no S. Miguel, depois das colheitas; mas na noite de 24 de Agosto, quando em Cavez se festeja o S. Bartolomeu, os festeiros do Minho brigaram com os de Trás-os-Montes, segundo o bárbaro estilo daquela romagem. O tiroteio de ambas as margens do Tâmega principiou às dez da noite. Ao romper da alva, os turbulentos acometeram-se peito a peito de clavinas engatilhadas, e dos dois valentes que caíram mortalmente feridos na ponte, um era o noivo de Joaquina. A rapariga ainda o viu moribundo; quis despenhar-se da ponte, e foi levada sem alento para casa da mãe do morto, que a tratou com o amor que tinha ao filho.”

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A lenda da D. Comba

Reza a lenda que, há muitos séculos atrás, viveu na Casa da Taipa (em Cabeceiras de Basto, S. Nicolau) uma senhora fidalga e muito poderosa chamada D. Comba.

Esta mulher possuía um coração de pedra, era malévola e comprazia-se em fazer aos outros as maiores crueldades.

Por exemplo, frequentemente mandava os criados pescar trutas no rio mais próximo (provavelmente o Rio Peio), sentindo prazer em vê-las fritar ainda vivas.

Consta que D. Comba tinha poucos preceitos religiosos e morais, tendo até mantido uma guerra aberta e muito feroz contra os frades do Mosteiro Beneditino de S. Miguel de Refojos.

Conseguiu vencê-los sem dó nem piedade, tendo-se atrevido entrar montada a cavalo e acompanhada pelos seus sequazes, na bonita igreja daquele mosteiro. Os cavalos aí se mantiveram, fazendo esta senhora da igreja uma estrebaria!

Mas o castigo divino acabou por chegar, e o povo garante a pés juntos que, depois de morta, a alma dela nunca encontrou o descanso divino. De facto, todas as sextas-feiras, pela calada da noite, D. Comba pena por terras da Casa da Taipa. Quem quiser pode ir, numa sexta-feira à noite, atentar numa luz que desce a colina próximo da Casa da Taipa, dá várias voltas à Capela da Casa e volta para a colina. Mas, por muito que as pessoas tentem ninguém a consegue ver, pois, mal se aproximam a luz apaga-se…

Conclusão, aqui pode aplicar-se o ditado popular “Não faças mal ao vizinho, que o teu mal pelo caminho vem”.

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Educação pela Arte: painel de azulejos servem de inspiração

Ao longo do terceiro período letivo, a professora de Educação Visual, Rosário Gomes Coelho, da EB2,3 de Arco de Baúlhe, propôs aos seus alunos do 7.º ano, no âmbito do conteúdo “Módulo e Padrão”, e em articulação com o conteúdo “Design”, desenvolvessem um trabalho em torno da temática Design de Moda,  inspirando-se no painel de azulejos da fachada do edifício principal do Núcleo Ferroviário de Arco de Baúlhe.

Aos alunos foi sugerido a conceção de peças de vestuário e acessórios, resultando criações bastante interessantes por parte destes ‘jovens estilistas’ .

Ficamos honrados pelo facto de o nosso património ter servido de mote à educação pela arte e ter proporcionado um interessante intercâmbio entre as escolas e o museu. Voltem sempre!

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workshop de design na Casa da Lã

Integrado na comemoração do Dia Internacional dos Museus, realizou-se no dia 19 de maio, o workshop de design ‘Do ancestral ao contemporâneo, na Casa da Lã, .

Uma atividade onde a prática da cerâmica se conjugou com a composição têxtil e que contou com a participação das Mulheres de Bucos, da escultora Patrícia Oliveira e da estilista Helena Cardoso.

Na atividade participaram turmas do Externato de S. Miguel de Refojos e uma turma do 3.º ano da licenciatura em Artes Visuais da Escola de Arquitetura, Arte e Design da Universidade do Minho, que ficaram a conhecer de perto o trabalho que as Mulheres de Bucos desenvolvem com a lã, bem como a prática da cerâmica demonstrada pela escultora Patrícia Oliveira.

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Museu das Terras de Basto assinala Dia Internacional com ‘viagem’ e workshop

Hoje celebra-se o Dia Internacional dos Museus, este ano sob o mote ‘O Poder dos Museus’. Para assinalar a data, a Câmara Municipal de Cabeceiras de Basto organizou um programa de dois dias que contempla uma curta viagem na automotora ME5, considerada a “A velha glória da ME5”, que se encontra em exposição no Núcleo Ferroviário do Arco de Baúlhe, bem como um workshop de design.

Às 10h30, a automotora volta a sair à linha no Arco de Baúlhe para transportar estudantes e população em geral. Trata-se de uma experiência divertida que não deixará, certamente, ninguém indiferente.

Amanhã 19 de maio, na Casa da Lã, em Bucos, decorrerá o workshop de design ‘Do ancestral ao contemporâneo’ com a presença de turmas do Externato de S. Miguel de Refojos e uma turma do 3.º ano da licenciatura em Artes Visuais da Escola de Arquitetura, Arte e Design da Universidade do Minho.

Visite-nos!

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O Barreleiro, o branqueamento do linho

A fotografia que aqui reproduzimos (gentilmente cedida pela artesã Fátima Mota, da freguesia de Pedraça, do concelho de Cabeceiras de Basto), mostra-nos o uso do barreleiro, ou seja um cortiço alto, dentro do qual são colocadas as meadas de linho, para aí se realizar uma das fases da preparação do linho – a barrela.

Há que ter em atenção que o linho, depois de fiado, é disposto em meadas. Mas antes de se dobar as meadas e de as tecer é necessário branqueá-las.

No ‘barreleiro’ são colocadas as ditas meadas, cobertas primeiro com um pano de estopa grosso, de seguida com cinza de madeira de vide, pois nem todo o tipo de madeira serve e por fim com raminhos de aradeira e funcho, pois se acredita que estes tornam o fio mais macio e cheirosa.

A fotografia com que se ilustra este texto representa a barrela a ser realizada pela artesã Fátima Mota e por sua mãe Ana Oliveira, já falecida. Podemos observar Ana Oliveira a retirar água a ferver dos potes de ferro, com o auxílio de um púcaro de cabo comprido, e a vertê-la de imediato no cortiço.

Este processo é repetido durante três dias, sempre da parte de manhã e ao final da tarde.

Ao fim de três dias retiram-se as meadas de linho do barreleiro, lavam-se com sabão e estendem-se ao sol para corar, assim permanecendo cerca de oito dias, havendo a necessidade de as virar ora de um lado ora do outro, mas sem as deixar secar, caso contrário crespam.

Depois de novamente lavadas e secas as meadas ficam prontas para a próxima fase – dobar.

O que hoje aqui se descreve é o modo tradicional para branquear as meadas de fio de linho, sendo um processo decisivo para a sua boa aceitação por parte dos compradores, “(…)um trabalho bem feito era o orgulho da dona de casa, daí a repetição das barrelas com cinza, as longas coras ao sol, as lavagens e bateduras para que o linho ficasse fino e branco.” (Soeiro, O linho em Cabeceiras de Basto (séculos XIX-XXI), 2020).

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António José Mendes e a música «Cabeceiras Minha Terra Natal»

Hoje partilhamos neste texto alguns dados biográficos de António José Mendes, figura que se destacou entre os cabeceirenses, pela sua dedicação à Banda Filarmónica de Cabeceiras de Basto.

António José Mendes nasceu a 30 de agosto de 1909, na freguesia de Abadim, concelho de Cabeceiras de Basto e casou com Maria Olinda Alves, natural da freguesia de Refojos do mesmo concelho.

Não teve oportunidade de obter grandes estudos (apenas  fez a 3.ª classe), pois os tempos eram difíceis, e cedo começou a trabalhar para o sustento do dia a dia.

Exercia mais do que uma profissão; foi alfaiate em Refojos; carcereiro, entre 1947 e 1972, data em que foi extinta a cadeia de Cabeceiras de Basto; maestro na Banda de Música Cabeceirense e compositor de várias músicas.

Aos 11 anos motivado pelo seu pai entrou na Banda Cabeceirense e por aí começou a sua verdadeira paixão pela música. Aos 27 anos já era maestro. E é como maestro e compositor que a sua personalidade ganha grande dimensão nesta terra. Uma veia artística que já se notava no seio da sua família, uma família de músicos: desde o seu avô, pai, continuando nos seus filhos, netos e bisnetos…

Enquanto alfaiate andava sempre com uma caneta e papeis no bolso para fazer os apontamentos dos pedidos dos seus clientes. A esses bocados de papeis, dava também uso para escrever as suas letras e notas musicais. Enquanto caminhava, ia assobiando fazendo a sua música, apontando-a nesses papeis. E era desta forma, caminhando… ao som do ritmo do seu assobio, que lhe iam saindo as notas, a sua música, registando-as num bocado de papel que levava na palma da mão.

Ao longo da vida dedicou todo o seu o saber e sensibilidade artística à Banda de Música Cabeceirense.

Compôs até ao final da sua vida, tendo falecido em 1987.

Deixamos aqui a letra de uma das suas canções, criada por volta dos anos 40 do século XX e intitulada “Cabeceiras Minha Terra Natal”

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Museu das Terras de Basto celebrou o Dia Mundial da Árvore

O Núcleo Ferroviário do Arco de Baúlhe do Museu das Terras de Basto comemorou a chegada da primavera no dia 21 de março com uma plantação no canteiro aromático do núcleo sedeado na vila do Arco de Baúlhe.

A atividade contou com a participação das crianças do jardim de infância do Arco de Baúlhe e dos vizinhos do Museu que participaram no cultivo de ervas aromáticas e na plantação de um medronheiro naquele espaço.

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Postal ilustrado da Estação Ferroviária de Arco de Baúlhe. Sem data.

Assim era a Estação Ferroviária de Arco de Baúlhe noutros tempos. Hoje, quem nos visita aqui encontra um valioso espólio ferroviário no denominado Núcleo Ferroviário de Arco de Baúlhe (Museu das Terras de Basto).

Ainda não conhece? Venha visitar-nos. Vai ver que não se arrepende! 

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